Ouvir
  • Noticiário das 18h
  • 12 dez, 2025
A+ / A-

Cabo Delgado

"Aqui continua-se a viver em Sexta-feira Santa", afirma sacerdote português em Pemba

20 abr, 2025 - 16:15 • Henrique Cunha

O Padre Manuel Faria, responsável pela paróquia de Santa Cecília de Ocua, que está sob a administração da Arquidiocese de Braga, em mensagem enviada à Renascença descreve a realidade dolorosa de um povo que vive diariamente em enorme dificuldade, em permanente "Sexta-Feira Santa".

A+ / A-

Sacerdote português, na Diocese de Pemba lembra a fome, os deslocados, o terrorismo e as doenças que na região contribuem para “uma Páscoa dolorosa”.

Em mensagem enviada à Renascença, o padre Manuel Faria, oriundo da arquidiocese de Braga, que administra a paróquia de Santa Cecília de Ocua, na diocese de Pemba, fala da “pobreza que aumenta, das pessoas deslocadas, do terrorismo que não deixa a região, das crianças que passam fome, dos ciclones que trouxeram mais doenças e que tudo destruíram”, para afirmar que “o sofrimento e a cruz é a vida deste povo; este povo que ainda continua a viver em Sexta-Feira Santa”.

O sacerdote descreve um cenário onde “tudo demora a chegar, pois “falta apoio humanitário, e a falta de medicamentos é gritante”.

“Esta é a nossa realidade, viver a paixão, e vivemos em paixão, com uma situação humanitária que é crítica, uma realidade que é dolorosa, vivemos em Sextas-Feira Santa”, sublinha.

Contudo, “como tantas vítimas inocentes, rezamos esta vida toda, fazemos a experiência de Jesus, desta humanidade pobre e humilde, em ano jubilar a todos fazemos peregrinos de esperança, pois tudo passa, só o amor de Deus, que é mais forte que a morte, e que o sofrimento continua”, afirma.

Apesar das dificuldades, o padre Manuel Faria destaca a capacidade de um povo que, na paróquia de Ocua vive a certeza de “uma Páscoa de esperança, e de renovação”, porque ninguém desiste da “luta constante por levarmos a cruz uns dos outros, por sermos apoio, sermos aqueles cireneus, como está no Evangelho, que ajudam a levar a cruz uns dos outros, porque aqui a realidade pascal ainda parece distante”. “Nós anunciámos esta Páscoa e sabemos que Cristo ressuscitou, que esta Páscoa é certa, mas a realidade aqui ainda é diferente”, reforça.

O sacerdote termina a sua mensagem com uma referência ao ano jubilar que estamos a viver e que faz de todos “peregrinos de esperança, pois tudo passa, só o amor de Deus, que á mais forte que a morte, e que o sofrimento, continua”.

“Que esta Páscoa seja para buscar a paz e o amor de Deus, é esse o desejo que podemos deixar de Cabo Delegado, daqui de Moçambique, da nossa paróquia de Santa Cecília de Ocua” conclui.

Ouvir
  • Noticiário das 18h
  • 12 dez, 2025
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Destaques V+