20 abr, 2025 - 16:15 • Henrique Cunha
Sacerdote português, na Diocese de Pemba lembra a fome, os deslocados, o terrorismo e as doenças que na região contribuem para “uma Páscoa dolorosa”.
Em mensagem enviada à Renascença, o padre Manuel Faria, oriundo da arquidiocese de Braga, que administra a paróquia de Santa Cecília de Ocua, na diocese de Pemba, fala da “pobreza que aumenta, das pessoas deslocadas, do terrorismo que não deixa a região, das crianças que passam fome, dos ciclones que trouxeram mais doenças e que tudo destruíram”, para afirmar que “o sofrimento e a cruz é a vida deste povo; este povo que ainda continua a viver em Sexta-Feira Santa”.
O sacerdote descreve um cenário onde “tudo demora a chegar, pois “falta apoio humanitário, e a falta de medicamentos é gritante”.
“Esta é a nossa realidade, viver a paixão, e vivemos em paixão, com uma situação humanitária que é crítica, uma realidade que é dolorosa, vivemos em Sextas-Feira Santa”, sublinha.
Contudo, “como tantas vítimas inocentes, rezamos esta vida toda, fazemos a experiência de Jesus, desta humanidade pobre e humilde, em ano jubilar a todos fazemos peregrinos de esperança, pois tudo passa, só o amor de Deus, que é mais forte que a morte, e que o sofrimento continua”, afirma.
Apesar das dificuldades, o padre Manuel Faria destaca a capacidade de um povo que, na paróquia de Ocua vive a certeza de “uma Páscoa de esperança, e de renovação”, porque ninguém desiste da “luta constante por levarmos a cruz uns dos outros, por sermos apoio, sermos aqueles cireneus, como está no Evangelho, que ajudam a levar a cruz uns dos outros, porque aqui a realidade pascal ainda parece distante”. “Nós anunciámos esta Páscoa e sabemos que Cristo ressuscitou, que esta Páscoa é certa, mas a realidade aqui ainda é diferente”, reforça.
O sacerdote termina a sua mensagem com uma referência ao ano jubilar que estamos a viver e que faz de todos “peregrinos de esperança, pois tudo passa, só o amor de Deus, que á mais forte que a morte, e que o sofrimento, continua”.
“Que esta Páscoa seja para buscar a paz e o amor de Deus, é esse o desejo que podemos deixar de Cabo Delegado, daqui de Moçambique, da nossa paróquia de Santa Cecília de Ocua” conclui.