Em tempo de Conclave, sem-abrigo de Roma recordam o Papa que acolheu os pobres
06 mai, 2025 - 17:55 • Reuters
Durante o seu pontificado, o Papa Francisco rejeitou grande parte da pompa e privilégio do papado e procurou tornar a Igreja Católica Romana mais inclusiva e menos condenatória. O Conclave para a escolha do novo Papa começa esta quarta-feira, 7 de maio.
A brilhante colunata da Praça de São Pedro oferece um cenário majestoso enquanto quatro homens esperam por uma refeição gratuita num terraço no coração do Vaticano, numa amena noite de abril.
A localização prestigiada é a inveja dos melhores hotéis de Roma. Mas o Palazzo Migliori, do século XIX, é um albergue para sem-abrigo, situado num edifício que o falecido Papa Francisco dedicou aos seus cuidados.
Francisco, que morreu a 21 de abril, rejeitou grande parte da pompa e privilégio do papado e procurou tornar a Igreja Católica Romana mais inclusiva e menos condenatória.
Conhecido como o “bispo da favela” na sua Buenos Aires natal por causa das suas frequentes visitas aos bairros mais pobres, Francisco fez da preocupação com os pobres o seu principal foco. Pediu-lhes também que desempenhassem um papel de destaque no seu funeral.
Depois de se ter tornado Papa em 2013, mais tendas e sacos-cama apareceram à noite nas longas sombras da Praça de São Pedro, à medida que se espalhava a notícia do acolhimento de Francisco aos sem-abrigo. Sob a sua direção, o Vaticano construiu novas instalações, como chuveiros e uma lavandaria para os ajudar. Há seis anos, a instituição doou o palácio, anteriormente utilizado pelas freiras, à comunidade laica de Sant'Egidio, que apoia aqueles que estão à margem da sociedade.
"Ele fez tanto pelos pobres. Conheceu tantas pessoas pobres, que abriu o melhor edifício para acolher todos os que estão na rua", disse Antonino Siracusa, um antigo sem-abrigo que trabalha no abrigo de Sant'Egidio, que actualmente alberga 38 homens e sete mulheres.
Siracusa estava entre um grupo de sem-abrigo, migrantes, prisioneiros e pessoas transgénero que aguardavam nos degraus da Basílica de Santa Maria Maior, local de descanso escolhido por Francisco, longe do esplendor do Vaticano, para saudar o caixão do Papa após o funeral, a 26 de abril. Cada um segurava uma rosa branca.
“Estava dentro do portão com uma flor na mão, à espera que o caixão do Papa Francisco entrasse”, disse Siracusa.
Durante o seu papado de 12 anos, Francisco convidou grandes grupos de pobres e sem-abrigo para comerem com ele — por vezes até 1.200 de cada vez. Pediu que os guarda-chuvas esquecidos pelos turistas nos museus do Vaticano fossem entregues aos que estavam nas ruas. Transformou uma estação dos correios do Vaticano numa clínica de saúde para os pobres e distribuiu sacos-cama no seu aniversário.
"Vamos sentir falta de tudo. Ele foi um Papa que fez tantas coisas", disse Siracusa.
Savile Piro, que é sem-abrigo e dorme nas ruas do Vaticano, disse que o Papa "pensou sempre em nós. Doou sempre aos sem-abrigo. Os chuveiros que lá estão — ele criou-os. A clínica — ele criou-a. O abrigo que está aqui — ele criou-o. Que mais se poderia querer?"
Piro estava no local quando o Papa surpreendeu os utentes do abrigo com uma visita.
"Foi uma experiência indescritível. Um golpe no coração... deixou-me sem fôlego. Quando estávamos a tomar o pequeno-almoço e ele chegou, ficámos todos boquiabertos", recorda.
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- 20 mai, 2026











