D. Rui Valério. Novo Papa "é uma fonte de esperança"
08 mai, 2025 - 19:13 • Daniela Espírito Santo , Miguel Coelho
Patriarca de Lisboa diz que nome escolhido pelo novo Papa é "um bom indício".
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Para o Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, o novo Papa "é uma fonte de esperança".
Em entrevista à Renascença durante a emissão especial desta tarde, D. Rui Valério não acredita que a nacionalidade do Cardeal Prevost "tenha tido qualquer peso", acreditando mais que a sua mensagem de "simplicidade e pobreza" tenha atraído os restantes cardeais.
"Lembro-me dele, o ano passado, falar do papel dos bispos no sentido de serem servos e não pequenos príncipes sentados em tronos", exemplifica.
Para o Patriarca, no entanto, "todas as leituras são possíveis". Apesar disso, e mais do que tudo o resto, a escolha "é uma fonte de esperança". "Os EUA, quer queiramos quer não, têm um impacto e influência globais que a ninguém deixa indiferente e era importante que uma voz da América fosse da qualidade, do timbre do Papa Leão", vaticina.
D. Rui Valério não esquece, igualmente, a escolha de nome feita por Prevost - que encontrou recentemente no Vaticano. "É um bom indício o nome que o novo Papa escolheu para si", diz, explicando que a herança deixada pelo anterior Papa Leão, Leão XIII pode dar pistas sobre o que esperar do novo pontificado.
"O Papa Leão XIII teve um pontificado, sobretudo, de abertura à sociedade. Foi quem escreveu a primeira encíclica sobre o trabalho, que se abriu aos problemas dos trabalhadores, dos operários, nomeadamente na indústria", relembra. "Teve um pontificado muito longo", acrescenta, garantindo que, durante vários anos, foi símbolo de abertura na Igreja. "É a marca por excelência dele", admite.
D. Rui Valério encontra, também aí, parecenças com o Papa Francisco. "Realmente foi capaz de atrair à igreja o mundo do trabalho. Ele tinha uma preocupação: que ninguém se sentisse excluído. Isso remete-nos para o 'Todos, todos, todos' do Papa Francisco. O Papa Leão XIII foi pioneiro nessa dinâmica", entende.
Um homem do seu tempo, Leão XIII escreveu texto sobre "os novos meios científicos" que via proliferar à sua volta. "A tudo acolheu com simpatia, com hospitalidade, com sentido de que tudo pode servir para a redenção do ser humano", remata.
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