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"Habemus papam"

Leão XIV. Como os Papas escolhem o seu nome

08 mai, 2025 - 18:38 • Marta Pedreira Mixão , Diogo Camilo (Infografia)

Robert Francis Prevost é o novo Papa Leão XIV. Decisão do Conclave conhecida esta quinta-feira à tarde. O nome Leão já foi utilizado por 14 Papas.

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Acabada a votação, o cardeal protodiácono, D. Dominique Mamberti surgiu na varanda da Basílica de São Pedro para anunciar: “Habemus Papam!” [Temos um Papa!], para depois anunciar ao mundo o nome do cardeal escolhido e qual o nome que este escolheu. Depois, o novo Papa seguiu para a varanda para dar a sua primeira bênção “urbi et orbi”.

João Paulo II, Bento XVI, Francisco e agora Leão XIV... Mas como é escolhido o nome?

No início, os Papas usavam o seu nome de batismo, mas a eleição do Papa João II deu início ao que hoje é uma tradição, já que escolheu usar esse nome em vez de “Mercurius” – nome de batismo.

No final do século X, a escolha de um nome papal tornou-se a regra – embora com algumas exceções –, e passou a ser uma das primeiras ações como pontífice, representando para o ex-cardeal recém-eleito o início do seu pontificado, podendo também ser uma forma de, logo ali, começar a marcar o “tom” do mesmo.

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Uma vez designado pelos cardeais eleitores, o novo bispo de Roma deve responder à pergunta do decano dos cardeais: Acceptasne electionem de te canonice factam in Summum Pontificem? (Aceita sua eleição canónica como Sumo Pontífice?) Quo nomine vis vocari? (Como quer ser chamado?).

O cardeal Jorge Mario Bergoglio escolheu o nome Francisco e foi o primeiroo, em homenagem a São Francisco de Assis, “o homem da pobreza, o homem da paz, o homem que ama e protege a criação”, disse pouco depois da sua eleição.

Francisco foi o primeiro Papa desde o Papa Lando, em 913, a escolher um nome papal nunca antes utilizado.

São Pedro foi o primeiro Papa e, apesar de há séculos os papas escolherem os seus nomes papais, nenhum Pontífice, até agora, escolheu chamar-se Pedro – por respeito ao primeiro Papa.

Muitos acabam por repetir o nome de um Papa anterior, por norma um nome que associem a um pontificado que admiram.

Qual foi o nome papal mais escolhido?

“Se eu não for, João XXIV certamente irá”, disse Francisco, depois de anunciar o seu nome e com uma razão. É que “João” e “Gregório” são os mais comuns entre os papas.

Nos seus mais de 2.000 anos de existência, a Igreja Católica teve 266 papados, tendo sido escolhidos 84 nomes papais.

Anteriormente, 21 papas escolheram “João”. Se contarmos com o nome “João Paulo” são, na verdade, 23. Outras escolhas comuns são “Gregório” (16), “Bento” (15) e “Clemente” (14).

É importante explicar que, apesar de existir o Bento XVI, foram apenas 15 os "Bento", porque embora não sejam oficialmente reconhecidos pela igreja, aqueles que se opuseram à seleção do papa e afirmaram ser o chefe legítimo da Igreja Católica também influenciaram a numeração Papal.

Tal como Francisco, 47 papas adotaram pela primeira vez um nome. Contudo, Francisco foi o primeiro Papa desde em 913, a escolher um nome papal anteriormente não utilizado.

Homenagens

Muitas vezes, o nome escolhido tem como objetivo prestar homenagem a um santo, apóstolo ou a um Papa admirado. Uma escolha que representa a intenção de seguir os passos do seu antecessor.

No século XX, João XXIII quis romper com a longa lista de “Pio”, que se verificou, entre finais do século XVII e meados do século XX, e regressou ao nome de um apóstolo direto de Jesus. O cardeal alemão Joseph Ratzinger escolheu Bento XVI, por exemplo, em referência a Bento XV, o Papa da Paz durante a Primeira Guerra Mundial.

Em 1978, João Paulo I quebrou a norma ao escolher um nome composto, mas morreu 33 das depois da sua eleição.

Para explicar a sua escolha disse que não tinha "a sabedoria de coração" do Papa João, nem a preparação e a cultura do Papa Paulo, justificando: “Estou, porém, no lugar deles e devo procurar servir a Igreja".

O cardeal polaco Karol Wojtyla escolheu João Paulo II em em honra do seu antecessor.

Assim, a escolha do nome está ligada a conotações e, por norma, reflete uma visão para o papado e os valores partilhados com um predecessor.

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O nome do 267.º “Papa Leão XIV”

O nome Leão já foi utilizado por treze Papas. O último Papa Leão foi Leão XIII, entre fevereiro de 1878 e julho de 1903.

Os outros Papas que escolheram Leão como nome foram eleitos nos anos de 1823, 1605, 1513, 1049, 963, 936, 928, 903, 847, 795, 682 e 440.

Cinco deles - os papas Leão I, Leão II, Leão III, Leão IV e Leão IX - foram canonizados santos.

O mais célebre Papa Leão foi Leão I, que terá dissuadido Átila de invadir Roma, em 452.

Leão III ficou na história por ter coroado Carlos Magno, em 800, o que consolidou a ideia política da Europa medieval.

No século XVI, Leão X marcou o início da Reforma Protestante ao confrontar Martinho Lutero.

Mas a escolha do nome por Robert Francis Prevost remete para o mais recente Leão XIII, eleito em 1878, autor da encíclica Rerum Novarum, que lançou as bases da doutrina social da Igreja, visando os direitos dos trabalhadores e a necessidade de justiça social em plena Revolução Industrial.

Com 69 anos, nascido a 14 de setembro de 1955 em Chicago, foi criado cardeal pelo Papa Francisco, em 2023, e fala português, Robert Francis Prevost escolheu o nome “Leão XIV”.

Era, até agora, prefeito do Dicastério para os Bispos, e presidente da Comissão Pontifícia da América Latina, além de membro dos dicastérios da Evangelização, Doutrina da Fé, Igrejas Orientais, Clero, Cultura e Educação, entre outros.

Fez ainda parte da Comissão Pontifícia do Estado da Cidade do Vaticano.

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