Conclave 2025
Quem é o cardeal que vai dizer “Habemus Papam” e anunciar o novo Papa?
08 mai, 2025 - 16:01 • João Pedro Quesado
Nascido em Marraquexe, o atual cardeal protodiácono fez parte da diplomacia da Santa Sé, pedindo "decisões corajosas" pela solução de dois Estados entre Israel e Palestina. Se o Conclave não eleger um Papa nos primeiros três dias, este cardeal é chamado a liderar uma reflexão no dia de pausa.
Com o Conclave a decorrer, a eleição do novo Papa, anunciada pelo fumo branco a sair da chaminé da Capela Sistina, pode acontecer a qualquer momento — dentro dos horários já conhecidos dos cardeais. Mas o famoso anúncio “Habemus Papam” acontece depois, da varanda da Basílica de São Pedro.
“Annuntio vobis gaudium magnum: Habemus Papam!”, vai dizer o cardeal protodiácono, D. Dominique Mamberti, revelando depois quem é o novo Pontífice Romano: “Eminentissimum ac Reverendissimum Dominum, [primeiro nome] Sanctae Romanæ Ecclesiæ Cardinalem [apelido] qui sibi nomen imposuit [nome papal]”. Traduzindo: “Anuncio-vos com a maior alegria: Temos Papa! Eminentíssimo e Reverendíssimo Senhor, Senhor [primeiro nome] Cardeal da Igreja Católica Romana [apelido] que escolheu para si o nome de [nome papal]”.
Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui
Quem é este cardeal? D. Domenique Mamberti tem 73 anos, e foi criado cardeal no consistório de fevereiro de 2015, ao mesmo tempo de D. Manuel Clemente. É o cardeal protodiácono desde outubro de 2024, depois de se tornar o cardeal mais velho na ordem dos cardeais-diáconos — a terceira do Colégio de Cardeais, onde há ainda cardeais-bispos e cardeais-presbíteros.
Francês, o cardeal Domenique Mamberti nasceu em Marraquexe, crescendo na Córsega. Foi aí que foi ordenado padre, na diocese de Ajaccio, em 1981, estudando depois direito em Estrasburgo e Paris, além de Direito Canónico na Universidade Gregoriana em Roma.
Diplomata que pediu "decisões corajosas" na Terra Santa
O atual cardeal protodiácono foi, em 2002, nomeado arcebispo titular (isto é, de uma diocese que existiu no passado e agora existe apenas em título), delegado apostólico para a Somália e núncio apostólico no Sudão. Em 2004, depois de deixar o posto relativo à Somália, passou também a ser núncio apostólico da Eritreia.
Em 2006, já no pontificado de Bento XVI, passou a trabalhar diretamente na Cúria Romana, como secretário das Relações com Estados — o equivalente a ministro dos Negócios Estrangeiros. Nesse período, não só esteve envolvido no primeiro encontro entre um chefe de Estado árabe e o Papa, como no apoio do Vaticano à integração da Sérvia na União Europeia.
D. Domenique Mamberti esteve ainda com o Presidente cubano Raúl Castro em 2010, a marcar os 75 anos de relações diplomáticas entre Cuba e a Santa Sé.
Igreja Católica
"Papamóvel" de Francisco vai ser clínica móvel em Gaza
Esta é "uma mensagem que o mundo não esqueceu as c(...)
Em 2011, num discurso perante as Nações Unidas, pediu “decisões corajosas” para alcançar a solução de dois Estados na Terra Santa, colocando a candidatura da Palestina a membro pleno da ONU “na perspectiva de esforços para encontrar uma solução definitiva” no conflito israelo-palestiniano. Já em 2014, durante a guerra de quase dois meses lançada por Israel contra a Faixa de Gaza, voltou a chamar atenção para o assunto, em particular para as palavras de Francisco sobre o sofrimento dos cristãos no Médio Oriente.
Nesse mesmo ano, Francisco mudou D. Domenique Mamberti de área na Cúria Romana, colocando-o como presidente do Supremo Tribunal da Assinatura Apostólica, o tribunal mais elevado da justiça estatal da Cidade do Vaticano, sucedendo ao cardeal Raymond Burke. Pouco depois, o Papa anunciou que o então arcebispo passaria a ser cardeal, integrando ainda a Secretaria de Estado, o atual Dicastério para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, e ainda o Dicastério para as Causas dos Santos.
Além do anúncio na varanda da Basílica de São Pedro, o cardeal protodiácono, como cardeal-diácono mais velho, pode ainda ser chamado a outra função no Conclave. Caso ao fim de três dias não tenha sido escolhido um novo Papa, as votações param por um dia, permitindo orações, debate e uma reflexão, ou meditação, por este cardeal. A paragem repete-se a cada sete votações, com as reflexões a pertencerem aos cardeais mais velhos das outras ordens do Colégio.
E se o cardeal protodiácono for eleito Papa? Nesse caso, a responsabilidade do anúncio recai sobre o próximo cardeal-diácono em termos de idade.
- Noticiário das 10h
- 19 mai, 2026









