Comunidade portuguesa nos EUA. "Sentimos que este momento também nos pertence"
09 mai, 2025 - 07:00 • Carolina Paredes
Uma portuguesa em Chicago, outra em Nova Iorque. Ambas manifestam felicidade pela eleição de Prevost, mas não estão certas de que a América de Trump mude muito. "Se Donald Trump não foi influenciado pelo falecido Papa, não será agora este que o fará."
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Não foi só na Praça de São Pedro que os fiéis festejaram a eleição do novo Papa. Em Chicago, cidade de onde Leão XIV é natural, a comunidade portuguesa reagiu com emoção ao anúncio da eleição do primeiro Papa norte-americano da Igreja Católica.
Joana Príncipe emigrou para os Estados Unidos aos nove anos e vive agora com a família em Chicago. "Mesmo sendo emigrantes, muitos de nós vivemos aqui há muitos anos, criamos os nossos filhos aqui, trabalhamos aqui e participamos ativamente nas paróquias locais. Sentimos que este momento também nos pertence", diz à Renascença.
Joana, que se dedica a obras sociais na Igreja e outras atividades na comunidade, diz ainda que o facto do novo Papa ser norte-americano pode aproximar mais o Vaticano aos fiéis dos Estados Unidos, embora a nacionalidade não seja o mais importante num Sumo Pontífice.
"A verdadeira influência dependerá mais do seu estilo de liderança. Mais do que a nacionalidade, será a autenticidade do seu testemunho que atrairá os fiéis", afiança Joana.
Sobre a futura relação entre Donald Trump e o Papa Leão XIV, Joana não quer criar expectativas, mas tem esperança de que o Papa possa ter influência na matéria de imigração.
"Ele [Papa Leão XIV] é verdadeiramente um homem do mundo. O Papa conhece a realidade dos povos indígenas, da pobreza e da fé vivida em circunstâncias difíceis. Isso, combinado com a sua formação americana, dá-lhe uma perspetiva única deste tema de imigração", diz.
Em Nova Iorque, Márcia de Oliveira, natural de Braga, mas a morar nos Estados Unidos desde os 13 anos, não tem a certeza de que Donald Trump ceda sobre a matéria de imigração.
Márcia até acredita que Trump, "como homem católico, vai respeitar as opiniões do Papa". Contudo, tem a certeza de que o presidente dos Estados Unidos "não mudará o seu plano".
"Se Donald Trump não foi influenciado pelo falecido Papa, não será agora este que o fará", garante Márcia de Oliveira.
Apesar das incertezas e perante os desafios que a Igreja Católica enfrenta, Joana Príncipe, de Chicago, acrescenta que "dada a dinâmica global, um Papa americano é o que precisamos".
"Como os Estados Unidos têm tanta influência no mundo, um Papa americano pode ajudar a aproximar a Igreja das grandes questões globais: em temas de paz, justiça social ou o meio ambiente", concluiu.
Para a comunidade portuguesa nos Estados Unidos, a eleição do Papa Leão XIV representa uma nova etapa para a Igreja Católica, que irá ser acompanhada com expectativa.
- Noticiário das 5h
- 07 jun, 2026









