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“É necessário evitar que sejamos reduzidos a máquinas”, pede Patriarca de Lisboa

28 mai, 2025 - 18:12 • Ana Catarina André

D. Rui Valério lembrou, numa conferência sobre doutrina social da Igreja, que a atual sociedade “criará uma massa de excluídos e descartáveis” e disse que é preciso melhorar os rendimentos dos trabalhadores em Portugal

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O Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, pediu esta quarta-feira, melhores salários para os trabalhadores em Portugal. No final de uma conferência que proferiu no Instituto Amaro da Costa, em Lisboa, sobre doutrina social da Igreja, o bispo dirigiu-se aos presentes, muitos dos quais políticos e gestores, falando-lhes sobre as diferenças salariais entre Portugal e países como França ou Espanha.

“Há uma discrepância muito grande que nos deveria fazer refletir”, disse, depois, em declarações à Renascença. “Somos uma única União Europeia. Como é que dentro dessa União Europeia uma das diferenças tão descaradas e tão descaradamente incompreensíveis seja exatamente esta diferenciação salarial entre o que um trabalhador ganha na Alemanha e o que ganha em Portugal, fazendo o mesmo?", questionou.

Na conferência intitulada “A Doutrina Social da Igreja hoje: Renovar os valores europeus em toda a União”, D. Rui Valério afirmou que a Igreja tem a missão de salvar o mundo do "reducionismo brutal" causado pela cultura niilista e pela inteligência artificial. “É necessário evitar que sejamos reduzidos a máquinas, é preciso ter ambição de algo mais. Caso contrário, esta sociedade criará uma massa de excluídos, descartáveis e outras pessoas que não são medidas pela técnica”, disse, sublinhando que “é a mesma dignidade que está na pessoa que produz muito, como aquela que está na pessoa que está numa cama de hospital e precisa de ser cuidada”.

Na sua intervenção, o Patriarca de Lisboa sublinhou que é preciso aplicar à situação atual os princípios da Doutrina Social da Igreja (dignidade da pessoa humana, bem comum, subsidiariedade e solidariedade). "O ser humano tem valor não porque faz isto ou aquilo, mas porque é valor", disse, alertando que “hoje todos somos avaliados com os mesmos padrões com que uma máquina é avaliada.”

D. Rui Valério lembrou, ainda, as raízes cristãs da Europa. “A dignidade da pessoa humana é o fundamento de toda a União Europeia, juntamente com a busca da paz e da reconciliação entre os povos, a solidariedade e a subsidiariedade e ainda a justiça social e o bem comum”, frisou, recordando o “debate aquando de uma possível Constituição Europeia e a referência às ‘raízes cristãs da Europa’. “Em nome da laicidade, cai-se tantas vezes no laicismo. Os Estados e as estruturas políticas são laicas, mas as pessoas não”, disse. E acrescentou: “São necessários católicos na política que impregnem as legislações dos valores cristãos e também de uma leitura histórica verdadeira, para que a Europa não deixe de ser aquilo que foi e pode continuar a contribuir para o bem dos povos”.

No início da conferência, que decorreu no instituto presidido por Manuel Monteiro, o Patriarca recordou a recente eleição de Leão XIV, que trouxe a Doutrina Social da Igreja de novo para o “centro da reflexão da vida da Igreja”. “Leão XIV quer usar esse património doutrinal e ser um agente da revolução em curso: desenvolvimento industrial, tecnológico e Inteligência Artificial", garantiu.

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