Religião
D. Carlos Azevedo investigado pelo Vaticano e inibido de aparecimento e presidência de cerimónias religiosas públicas
03 jun, 2025 - 13:31 • Ana Kotowicz
O processo foi instaurado durante o pontificado do Papa Francisco, mas a razão da investigação ainda não foi tornada pública embora se possa concluir que o eventual ilícito tenha caráter penal, tendo em conta o tribunal que avalia o processo, no quadro do Código do Direito Canónico, apurou a Renascença junto de fontes eclesiásticas.
O bispo português D. Carlos Azevedo está a ser investigado pelo Vaticano, num processo que decorre no Supremo Tribunal dependente da Santa Sé. Neste momento, D. Carlos Azevedo está sujeito a medidas cautelares estando, por exemplo, inibido de aparecimento e presidência de cerimónias religiosas públicas.
O processo foi instaurado durante o pontificado do Papa Francisco, mas a razão da investigação ainda não foi tornada pública embora se possa concluir que o eventual ilícito tenha caráter penal, tendo em conta o tribunal que avalia o processo, no quadro do Código do Direito Canónico, apurou a Renascença junto de fontes eclesiásticas.
De acordo com a mesma fonte, a “investigação procura apurar a verdade e proteger todas as pessoas envolvidas, razão pela qual o processo se encontra, de momento, sob sigilo”. A mesma razão é apresentada para o afastamento do prelado das suas funções: “É normal que esteja afastado de forma a proteger as pessoas e as instituições.”
O caso foi noticiado na noite desta segunda-feira pela RTP que avançou que o Vaticano tinha instaurado um processo disciplinar ao bispo português que, neste momento, é delegado do Comité Pontifício para as Ciências Históricas, em Roma.
Uma informação confirmada à Renascença pela Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), sem adiantar mais pormenores sobre o fundamento do processo instaurado. A CEP informa que “teve conhecimento da existência de um processo disciplinar relativo ao bispo em questão, cuja competência jurídica é exclusiva da Santa Sé, tendo em conta que o bispo em causa integra um organismo da Cúria Romana”.
Em 2010, D. Carlos Azevedo foi acusado de assédio sexual, através de uma queixa apresentada por um sacerdote junto da Nunciatura Apostólica de Lisboa. O caso foi inicialmente denunciado pela revista Visão e remonta aos anos 80 do século passado. Após este caso, D. Carlos Azevedo foi colocado no Conselho Pontifício da Cultura, em Roma. Na altura, o bispo português negou as acusações.
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