07 jun, 2025 - 21:15 • Olímpia Mairos
Na Vigília de Pentecostes, a que presidiu na Praça de São Pedro, o Papa Leão XIV desafiou os fiéis à sinodalidade, ao caminho conjunto.
No contexto de um mundo “dilacerado e sem paz”, o Pentecostes e o seu apelo a “caminhar juntos” assumem força profética.
“Num mundo dilacerado e sem paz, o Espírito Santo educa-nos verdadeiramente a caminhar juntos”, afirmou Leão XIV.
“Se não nos movermos mais como predadores, mas como peregrinos, a terra descansará, a justiça prevalecerá, os pobres se alegrarão e a paz voltará. Não mais cada um por si, mas harmonizando os nossos passos com os passos dos outros. Não consumindo o mundo com voracidade, mas cultivando e cuidando dele, como nos ensina a Encíclica Laudato si'”, explicou.
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Leão XIV lembrou que “Deus criou o mundo para que pudéssemos estar juntos”. E essa “consciência”, no âmbito eclesial, leva justamente o nome de “sinodalidade”. Um caminho que levanta questões, convida cada um a “reconhecer a sua dívida”, assim como “o seu tesouro”, sentindo-se parte “de um todo”, fora do qual “tudo murcha, mesmo o mais original dos carismas”.
“Reparem: toda a criação existe somente na modalidade do estar juntos, às vezes com perigos, mas sempre um estar juntos. E o que chamamos de ‘história’ toma forma somente na modalidade do reunir-se, do viver juntos, muitas vezes cheio de dissídios, mas sempre um viver juntos. O contrário é mortal, mas, infelizmente, está diante dos nossos olhos, todos os dias”, disse o Papa.
Às associações e comunidades presentes na Praça de São Pedro, nesta vigília, Leão XIV desafiou a serem “ginásios de fraternidade e participação, não apenas como locais de encontro, mas como lugares de espiritualidade”.
A Vigília de Pentecostes, presidida por Leão XIV, inseriu-se no programa do Jubileu dos Movimentos, Associações e Novas Comunidades, que decorre entre hoje e domingo, no Vaticano, no âmbito do Ano Santo 2025, e que conta com a participação de mais de 70 mil peregrinos, de mais de 100 países.
Na homilia, o Papa realçou ainda que a autêntica espiritualidade implica o compromisso com o desenvolvimento humano integral, “atualizando entre nós a palavra de Jesus. Onde isso acontece, há alegria. Alegria e esperança”.
“A evangelização, queridos irmãos e irmãs, não é uma conquista humana do mundo, mas a graça infinita que se difunde a partir de vidas transformadas pelo Reino de Deus. É o caminho das Bem-aventuranças, uma estrada que percorremos juntos, na tensão entre ‘já’ e o ‘ainda não’, famintos e sedentos de justiça, pobres de espírito, misericordiosos, mansos, puros de coração, construtores da paz”, explicou.
O Santo Padre apelou à unidade, reforçando que “a evangelização é obra de Deus e, se alguma vez, passa através de nós, é pelos laços que a torna possível”.
“Permanecei profundamente ligados a cada uma das Igrejas particulares e das comunidades paroquiais, onde alimentais e exerceis os vossos carismas. Em torno dos vossos bispos e em sinergia com todos os outros membros do Corpo de Cristo, agiremos, então, em harmoniosa sintonia. Se juntos obedecermos ao Espírito Santo, os desafios que a humanidade enfrenta serão menos assustadores, o futuro menos sombrio e o discernimento menos difícil!”, concluiu.