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Vaticano

Papa critica a lógica da exclusão e os nacionalismos políticos

08 jun, 2025 - 10:20 • Aura Miguel

Na missa de Pentecostes, Leão XIV citou uma homilia do Papa Francisco para condenar a existência de tanta discórdia e divisão, e alertou para “os perigos mais ocultos que envenenam as nossas relações".

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“Onde há amor, não há espaço para preconceitos, para distâncias de segurança que nos afastam do próximo, para a lógica da exclusão que vemos emergir, infelizmente, também nos nacionalismos políticos”, disse o Papa este domingo, na homilia da missa que celebrou na Praça de São Pedro.

Nesta solenidade do Pentecostes, Leão XIV afirmou que o Espírito Santo vem para desafiar, em nós, "uma nova maneira de ver e viver a vida” e alertou contra o crescente individualismo.

“É triste observar como num mundo onde se multiplicam as oportunidades de socialização, corremos o risco de ser paradoxalmente mais solitários, sempre conectados, mas incapazes de ‘fazer redes’, sempre imersos na multidão, mas permanecendo viajantes perdidos e solitários”.

Neste contexto, o Papa alertou para “os perigos mais ocultos que envenenam as nossas relações, como os mal-entendidos, os preconceitos, as instrumentalizações”. E acrescentou: “Penso – com muita dor – quando uma relação é infestada pela vontade de dominar o outro, uma atitude que frequentemente desemboca na violência, como infelizmente demonstram os numerosos e recentes casos de feminicídio”.

Sem fronteiras nem divisões

Como o Espírito alarga as fronteiras das relações com os outros e abre à fraternidade, para Leão XIV, esse é um critério decisivo também para Igreja: “só somos verdadeiramente a Igreja do Ressuscitado e discípulos de Pentecostes se entre nós não houver fronteiras nem divisões, se na Igreja soubermos dialogar e acolher-nos mutuamente, integrando as nossas diversidades e se, como Igreja, nos tornarmos um espaço acolhedor e hospitaleiro para todos”, afirmou.

Leão XIV citou uma homilia do Papa Francisco para condenar a existência de tanta discórdia e divisão, por andarmos “anestesiados pela indiferença e oprimidos pela solidão”.

Para Prevost, “as guerras que agitam o nosso planeta são um sinal trágico de tudo isso”. E pediu: “Invoquemos o Espírito do amor e da paz, a fim de que abra as fronteiras, derrube os muros, dissolva o ódio e nos ajude a viver como filhos do único Pai que está nos céus”. E que “o vento vigoroso do Espírito desça sobre nós e em nós abra as fronteiras do coração, dê-nos a graça do encontro com Deus, amplie os horizontes do amor e sustente os nossos esforços pela construção de um mundo onde reine a paz’, concluiu.

No final da celebração, o Papa também pediu a intercessão da Virgem Maria para o dom da paz. "Principalmente, a paz nos corações: só um coração pacífico pode difundir a paz, na família, na sociedade, nas relações internacionais", pediu. "Que o Espírito de Cristo ressuscitado abra caminhos de reconciliação onde quer que haja guerra; que ilumine os governantes e lhes dê a coragem de fazer gestos de apaziguamento e de diálogo".

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