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Faixa de Gaza

Comissão Justiça e Paz. Ações de Israel qualificam-se "como crimes de guerra e contra a Humanidade"

11 jun, 2025 - 14:02 • Henrique Cunha

Numa nota, a Comissão Nacional Justiça e Paz diz que "é tempo de gritar pela paz" e pede aos governos europeus "ações concretas de suspensão da cooperação com o governo de Israel".

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A Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) diz que Israel pratica ações "que se qualificam como crimes de guerra e contra a humanidade".

Numa nota sobre a situação na Faixa de Gaza enviada à Renascença, a CNJP "junta a sua voz a todos os que clamam pela Paz".

Para a CNJP, este é um tempo de "gritar pela paz". O texto alude ao "horror da situação" e que continua "a agravar-se numa desproporcionalidade desmedida".

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O organismo laical da Conferência Episcopal Portuguesa contextualiza a situação lembrando que "esta guerra foi desencadeada como reação aos deploráveis ataques terroristas do Hamas que vitimaram cidadãos israelitas inocentes", mas sublinha que "a reação de Israel tem assentado em práticas que se qualificam como crimes de guerra e contra a humanidade, com o alvo sistemático de civis indefesos a e a recusa de fornecimento de água e alimentos necessários à sobrevivência das pessoas que ali vivem”.

“Consideramos por isso, como tantas vozes internacionais que se fazem ouvir cada vez mais alto, que devem ser levados a sério os propósitos do governo israelita, com o apoio do governo norte-americano, de eliminação e deportação coletiva da população residente na faixa de Gaza. Estes propósitos não favorecem a libertação dos reféns israelitas, não reduzem a adesão de muitos palestinianos ao Hamas, nem contribuem para que, no futuro, os povos desta região possam viver em paz e segurança”, sublinha a nota.

A CNJP considera igualmente “inaceitáveis tanto as manifestações de ódio contra o povo judeu como a associação automática entre críticas às políticas do governo de Israel e o antissemitismo, uma vez que a denúncia da situação atual é partilhada por muitas pessoas de fé e cultura judaicas”.

A nota “repudia as práticas desumanas e desrespeitadoras do Direito da guerra” e diz esperar da parte dos governos da União Europeia, e pedindo em particular do governo português, “ações concretas de suspensão da cooperação com o governo de Israel, sob pena de incoerência com os princípios de defesa dos direitos humanos que regem essa União”.

A CNJP associa-se de forma plena ”ao secretário geral da ONU no sublinhar de que o caminho para uma paz justa para a Terra Santa só pode ser alcançado através do reconhecimento de dois Estados que correspondam aos direitos dos povos israelita e palestiniano”.

“A Comissão apela a todas as comunidades religiosas, em particular a comunidade católica, para que continuem unidas na oração pela Paz naquela região do mundo e em todos os contextos feridos pela guerra, dando testemunho de que a fé não pactua com a indiferença nem com a violência, mas é caminho de reconciliação, justiça e compromisso com a dignidade de todos os seres humanos”, prossegue a nota.

“Exprimimos também a nossa solidariedade para com todas as pessoas da Terra Santa, em especial as que (sobre)vivem na Faixa de Gaza, e renovamos o propósito de rezar para que, apesar de tudo, elas não percam a esperança de um futuro de justiça e paz”, conclui.

Pedido de oração

A CNJP deixa, no final da nota, a proposta de oração pela paz ao longo do mês de junho:

"Escuta, Israel, o clamor que se ergue do pedaço de terra que transformaste em campo de concentração.

O clamor daqueles que se encontram reféns de terroristas e às mãos da tua cólera desmedida.

Escuta, Israel, a voz do Senhor Nosso Deus que te manda ter piedade do órfão e da viúva.

Lembra-te, Israel, de como o nosso Pai Abraão se abeirou do Altíssimo para lhe pedir clemência da cidade inteira ainda que nela apenas houvesse dez homens justos. “Destruirás o justo com o injusto?” (Gn 18, 23). E lembra-te de como por causa dos dez justos o Senhor poupou Sodoma (Gn 18, 31).

«A misericórdia e a verdade vão encontrar-se, vão beijar-se a paz e a justiça; da terra há de brotar a verdade, e a justiça espreitará do céu» (Sl 85, 11-12).

Não mais sangue, Israel. Não mais sangue. «A força de um rei está em amar a justiça» (Sl 99, 4). Não em aniquilar, nem mesmo os inimigos.

Lembra-te, Israel, dos duros cativeiros que sofreste e não queiras pagar o mal com o mal, nem curar as tuas feridas com crueldade."

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  • António Dias
    13 jun, 2025 porto 14:28
    ...pede aos governos europeus "ações concretas de suspensão da cooperação com o governo de Israel", dito de outra forma, deixem o hamas reinar em paz. Estupido eu porque penso exatamente o contrário. Da forma como veem o problema só termina com a liquidação total do povo de Israel e os palestinianos com mais um estado falhado como os das suas redondezas.

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