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Imigração

D. José Traquina: "As pessoas têm todas o mesmo valor"

08 jul, 2025 - 10:31 • Henrique Cunha

O bispo que preside à Comissão Episcopal da Mobilidade pede que haja humanismo na revisão das leis da imigração e da nacionalidade. D. José Traquina não comenta a polémica no Parlamento pela divulgação por parte do Chega de uma lista com nomes de crianças, mas aconselha "prudência" para que não sejam "expostas".

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O presidente da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana, D. José Traquina, pede, em declarações à Renascença que "haja humanismo", na revisão das leis da imigração e da nacionalidade.

"As pessoas têm todas o mesmo valor", diz o também bispo de Santarém nesta terça-feira em que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, se reúne com o Conselho Nacional para as Migrações e Asilo.

D. José Traquina alerta, em particular, para a necessidade de não se criarem exceções e desigualdades, por exemplo, na questão do reagrupamento familiar. “Haver tratamentos de primeira e tratamentos de segunda para o comum das pessoas não vejo isso com bons olhos. Haver uma sociedade que privilegia ricos e os pobres não têm a ajuda necessária para se promoverem e serem pessoas realizadas, não é justo”, sublinha.

O prelado reconhece a necessidade de haver leis que regulem a imigração, mas insiste na defesa do tratamento das pessoas com “dignidade e humanismo”.

“Que haja humanismo e caridade, e que se faça tudo para ajudar as pessoas a cuidar de si com sentido de responsabilidade”, enfatiza.

O bispo de Santarém recusa-se a comentar em detalhe a recente polémica gerada no Parlamento pelo facto de o Chega, por ter divulgado uma lista de nomes de crianças, mas apela à prudência na defesa das crianças e recorda a questão dos abusos na Igreja para afirmar que a defesa das crianças "é um desígnio de todos".

"Temos de ser prudentes em todo o lado, no Parlamento e em todo o lado, temos de ser prudentes na defesa das crianças. Que elas sejam defendidas e não expostas. Que este seja um desígnio de todos”, reforça.

50 anos da Diocese de Santarém

Nesta entrevista à Renascença por ocasião dos 50 anos da Diocese de Santarém, o bispo de Santarém diz que “este cinquentenário tem de ser celebrado com uma ação de graças pelos muitos sinais e pelos muitos testemunhos que recebemos ao longo do tempo”.

D. Traquina afirma que “isso mesmo está plasmado nas diversas iniciativas que foram tomadas para este cinquentenário”.

O bispo revela, por outro lado, que “o próprio cinquentenário, na sua dimensão festiva, está a ter um efeito animador em termos de igreja diocesana”.

"Graças a Deus, as coisas têm corrido muito bem, por exemplo com a Imagem peregrina que percorre a nossa diocese, com a exposição itinerante da diocese a correr todos os conselhos da diocese."

Criadas no mesmo dia há 50 anos, as dioceses de Santarém e de Setúbal tem também aproveitado para festejar em conjunto e D. José Traquina aplaude “o acolhimento da diocese de Setúbal aqui em Santarém e também a nossa visita à diocese de Setúbal ao Santuário de Cristo Rei, onde tudo correu muitíssimo bem”.

No próximo dia 16 de julho, haverá festa pelos 50 anos da criação da Diocese, porque “foi o dia em que o Papa Paulo VI assinou a bula da criação de uma e outra diocese, e, portanto, vamos celebrar”, mas “a Diocese de Santarém começou realmente a funcionar com a ordenação do primeiro bispo, que era franciscano, D. António Francisco, no dia 4 de outubro, precisamente dia de São Francisco”.

“Então, nós vamos fazer outra celebração no dia 4 de outubro. Nesse dia, que calha a um sábado, ficamos com mais tempo para celebrar”, conclui.

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