Leão XIV: “Precisamos hoje de uma revolução do amor”
13 jul, 2025 - 10:18 • Aura Miguel
Na homilia da missa, que celebrou em Castel Gandolfo, o Papa alertou para “a estrada de tantos povos espoliados, roubados e saqueados, vítimas de sistemas políticos opressivos, de uma economia que os condena à pobreza, da guerra que mata os seus sonhos e as suas vidas.
O Papa recordou esta manhã, a propósito da parábola do Bom Samaritano, que "o amor é mais forte do que o mal e a morte“ e que esta história continua a desafiar-nos hoje.
Na missa que celebrou na paróquia de S. Tommaso da Villanova de Castel Gandolfo, onde se encontra a passar férias, Leão XIV frisou que a atitude dos protagonistas da parábola, interpela a nossa vida, abala a tranquilidade das nossas consciências adormecidas ou distraídas e “alerta-nos para o risco de uma fé acomodada, conformada com a observância exterior da lei, mas incapaz de sentir e agir com as mesmas entranhas de compaixão de Deus”.
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O Papa sublinhou a importância do olhar, porque expressa aquilo que trazemos no coração: ”Existe um modo de ver exterior, distraído e apressado, um olhar que finge não ver, isto é, sem nos deixarmos sensibilizar e interpelar pela situação; por outro lado, há um modo de ver com os olhos do coração, com um olhar mais profundo, com uma empatia que nos põe no lugar do outro, nos faz participar interiormente, nos toca, comove, questiona a nossa vida e a nossa responsabilidade”, disse.
“Precisamos desta revolução do amor”, disse Leão XIV aplicando a atitude do Bom Samaritano à atual realidade de tantos que se afundam no mal, no sofrimento e na pobreza, das pessoas oprimidas pelas dificuldades ou feridas pelas circunstâncias da vida e dos aqueles que “estão em baixo” até se perderem e tocarem no fundo.
Leão XIV alertou para “a estrada de tantos povos espoliados, roubados e saqueados, vítimas de sistemas políticos opressivos, de uma economia que os condena à pobreza, da guerra que mata os seus sonhos e as suas vidas. E o que fazemos nós? Vemos e passamos adiante, ou deixamos que o nosso coração seja traspassado como o do samaritano?” O Papa lamentou que“por vezes, contentamo-nos em fazer apenas o nosso dever ou consideramos nosso próximo somente quem está no nosso círculo, quem pensa como nós, quem tem a mesma nacionalidade ou religião". No entanto, “Jesus inverte a perspectiva, apresentando-nos um samaritano, um estrangeiro e herege que se torna próximo daquele homem ferido. E pede-nos que façamos o mesmo”, acrescentou.
Por fim, pediu a todos a coragem de “ver sem passar adiante, parar a nossa corrida apressada, deixar que a vida do outro, seja ele quem for, com as suas necessidades e sofrimentos, me parta o coração, porque isso aproxima-nos uns dos outros, gera uma verdadeira fraternidade, derruba muros e barreiras”. É que “o amor abre caminho, tornando-se mais forte do que o mal e a morte”, garantiu o Papa.
No final da missa, o Papa prometeu aos rapazes da paróquia jogar com eles uma partida de basquete.
Leão XIV também recebeu, de um paroquiano, um boné branco para usar quando jogar ténis (com o nome “Leão XIV” bordado), ao que o Papa respondeu que só o vai usar “quando as águas acalmarem”.
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