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​Fé e turismo

Pastoral do Turismo pede às paróquias mais “envolvimento” de pessoas de outras nacionalidades

08 ago, 2025 - 10:38 • Agência Ecclesia

Departamento da Pastoral do Turismo da região foi pioneiro na área, procurando que celebração dos sacramentos estivesse disponível em diversas línguas, património e marcas culturais da região fossem acessíveis a quem procura o Algarve o ano todo.

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A secretária da Pastoral do Turismo de Portugal, Sandra Moreira, quer mais envolvimento de pessoas de outras nacionalidades nas paróquias do Algarve. A ideia foi expressa por Sandra Moreira, em entrevista à Agência Ecclesia.

Sandra Moreira, que pertence também à Pastoral Diocesana do Algarve, defende que as preocupações com esta área devem ser entendidas a partir da “ecologia integral do ser humano”.

“No Algarve trabalham muitas pessoas no turismo, é a fonte de rendimento da maior parte da população e as pessoas devem ter dignidade no seu trabalho e no seu viver; são cidadãos a prestar um serviço. Faz parte da sustentabilidade respeitar o outro e é uma preocupação também nossa”, explica Sandra Moreira.

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A par de muitos turistas de diferentes nacionalidades – britânicos, americanos, irlandeses, canadianos – a região do Algarve tem registado um aumento da comunidade imigrante – “Paquistão, da Índia, do Sri Lanka, da Ucrânia”, trazendo consigo “práticas religiosas” e a vontade de participar nas celebrações.

Sandra Moreira alerta para a importância de “sensibilizar” as comunidades paroquiais para o “envolvimento” de pessoas de outras nacionalidades, “no trabalho pastoral da paróquia, no seu quotidiano”.

“Não podemos esquecer que Portugal é um país que acolhe turistas, e que tem no seu rendimento e no Produto Interno Bruto o turismo como uma das fontes de maior riqueza e, portanto, era determinante que, mais tarde ou mais cedo, a Igreja tivesse uma presença também neste setor”, reconhece.

A Pastoral do Turismo indica a necessidade de acolher as pessoas e fazer do seu tempo de descanso um período de “continuidade da sua fé”, disponibilizando informações para a participação nas celebrações litúrgicas, em diversas línguas, para a celebração de sacramentos, mas também possibilitar a “contemplação da natureza”.

Sandra Moreira assume o desafio permanente de acolher, atualizar e informar adequadamente, procurado ampliar a oferta e as parcerias.

“Os primeiros anos foram bastante complicados e duros porque havia uma falta de consciência interna, nomeadamente nas várias paróquias, de que os horários tinham que ser disponibilizados e os idiomas da celebração. Foi um tempo de sensibilização, de crescimento, de comunicação, que ainda hoje falha, apesar do trabalho realizado e de alterações significativas”, admite.

Algarve procurado para casamentos

A realidade da diocese do Algarve regista também a procura do território para a celebração de casamentos, sendo uma das tarefas que ocupa a pastoral do turismo da região.

“O processo de transferência do casamento, a preparação da celebração, a preparação dos noivos, a sensibilização também dos sacerdotes para a necessidade de acolher estes casamentos, a comunicação preparação com as empresas que organizam os casamentos uma vez que importa explicar alguns aspetos que a celebração do sacramento católico impõe. Nesse sentido, realizamos uma ação de formação, com o responsável diocesano da liturgia, para explicar todos os passos da celebração do matrimónio aos ‘wedding planners’”, conta Sandra Moreira.

A responsável valoriza o trabalho em rede com “todas as entidades que trabalham no setor, nomeadamente a Região de Turismo do Algarve”, com “unidades hoteleiras” e, dentro da Igreja católica, com o Secretariado Nacional dos Bens Culturais da Igreja católica e com o Secretariado diocesano da Pastoral da Cultura.

O bem acolher destina-se a todos os turistas, frisa Sandra Moreira, tenham ou não uma “identidade cristã”, sendo necessário por isso cuidar do património e deixar que o “silêncio e a arte que se encontra nas igrejas seja ponte para a espiritualidade”.

O turismo é cada vez menos sazonal e, do interior ao litoral da região algarvia se podem encontrar motivos de deslocação e lazer, apresenta a responsável.

“Felizmente o Algarve tem uma riqueza tal em gastronomia, em paisagem, em produtos religiosos, que se encontram deste o litoral à serra algarvia. As celebrações na Páscoa, a festa das tochas floridas que acontecem em São Brás da Alportel, na Serra Algarvia, no verão várias paróquias celebram a festa de Nossa Senhora dos Navegantes – Armação de Pera, por exemplo, onde decorre uma procissão marítima”, exemplifica.

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