Fátima
"Os migrantes não são um problema", diz arcebispo emérito de Andorra
12 ago, 2025 - 23:40 • Alexandre Abrantes Neves
Na homília da procissão das velas, D. Joan-Enric Vives afirmou que acolher migrantes "não é uma opção política, mas uma exigência evangélica". O arcebispo emérito de Urgel relembrou os exemplos de emigração da história portuguesa e de Nossa Senhora para apelar aos fiéis para "construir pontes e não muros".
O arcebispo emérito de Urgel, em Andorra, alertou na noite desta terça-feira que os “migrantes não são um problema” e pediu uma “resposta solidária” a quem chega a Portugal e à Europa para trabalhar.
Na homília da procissão das velas, em Fátima, D. Joan Enric Vives (que serviu numa das províncias de Andorra com uma das maiores comunidades portuguesas naquele país) apelou à mobilização de todos para ajudar a população estrangeira, relembrando que essa é também uma forma de compromisso "com os que não têm voz” e de “viver o Evangelho”.
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“A imigração, os migrantes não são um problema: são um sinal dos tempos que exige uma leitura evangélica e uma resposta solidária. O Papa Francisco sintetizou a atitude cristã face à migração em quatro verbos: acolher, proteger, promover e integrar. Estes são um verdadeiro programa pastoral, social, político, religioso e humano”, afirmou.
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Na visão do também antigo copríncipe de Andorra, a mensagem de Nossa Senhora de Fátima deve ser lida como um incentivo à “defesa dos direitos humanos dos migrantes”, que deixam o seu país por “necessidade ou em busca de liberdade” e que têm “o direito a ser tratado com dignidade em qualquer fronteira”.
“Acolher migrantes não é uma opção política; é uma exigência evangélica. Significa defender a dignidade sagrada de cada ser humano, criado à imagem de Deus. Devemos reconhecer o rosto de Cristo no migrante”, realçou, num recinto iluminado pelas centenas de velas erguidas na noite da habitual Peregrinação do Migrante e Refugiado.
Relembrando o “modelo de Maria”, D. Joan Enric Vives apelou aos cerca de 60 mil fiéis presentes para “construir pontes e não muros”, procurar a "fraternidade" e também a "justiça com cada irmão e irmã” e erguer um acolhimento de “verdadeira fé e amor”.
Na homília da celebração da palavra da noite desta terça-feira, o arcebispo de nacionalidade espanhola evocou também a “história portuguesa marcada pela emigração” e vários exemplos da história da própria Igreja para mostrar como os católicos se devem sentir convidados a serem “hospitaleiros”.
“A própria Maria experimentou a migração, o desenraizamento, a insegurança e a incerteza da viagem. (…) Não é esta a história que se repete em milhões de famílias de hoje? Todos os dias, homens, mulheres e crianças atravessam fronteiras em busca do mesmo que todos desejamos: paz, trabalho, segurança e um futuro melhor. E, muitas vezes, o que encontram é suspeita, rejeição ou indiferença”, assinalou.
O Santuário de Fátima acolhe esta terça e quarta-feira a Peregrinação do Migrante e do Refugiado, presidida este ano por D. Joan-Enric Vives, arcebispo emérito de Urgel e ex-copríncipe de Andorra. Na noite da procissão da velas, o Santuário estimou que marcaram presença 60 mil fiéis e recebeu a inscrição formal de 50 grupos de peregrinos, oriundos de 22 países.
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