Papa ao Meeting de Rimini: “Que o novo se traduza em conversão cultural”
21 ago, 2025 - 12:14 • Aura Miguel
“Não faltarão diálogos entre católicos de diversas sensibilidades, com crentes de outras confissões e não crentes. São importantes exercícios de escuta que só se abre com o acolhimento mútuo”, lê-se na Mensagem.
A verdadeira estrada da missão passa pelo caminho da presença, da simplicidade, do conhecimento e do ‘diálogo da vida’, diz o Papa numa Mensagem aos participantes do “Meeting para a Amizade entre os povos”, um encontro internacional ligado ao Movimento Comunhão e Libertação, a decorrer na cidade italiana de Rimini.
“Não faltarão diálogos entre católicos de diversas sensibilidades, com crentes de outras confissões e não crentes. São importantes exercícios de escuta que só se abre com o acolhimento mútuo”, lê-se na Mensagem assinada pelo cardeal Secretário de Estado Pietro Parolin.
Leão XIV insiste que “não podemos mais resistir ao Reino de Deus, que é um Reino de paz. E onde os responsáveis pelas instituições estatais e internacionais parecem incapazes de fazer cumprir a lei, a mediação e o diálogo, as comunidades religiosas e a sociedade civil devem ousar a profecia”.
O texto cita as palavras do Papa aos bispos italianos a favor da promoção de programas de educação para a não-violência, iniciativas de mediação em conflitos locais e “projetos de acolhimento que transformem o medo do outro em oportunidades de encontro” e pede que cada comunidade se torne uma “casa de paz”, onde se aprenda a apaziguar a hostilidade através do diálogo, onde a justiça seja praticada e o perdão seja preservado. “A paz não é uma utopia espiritual, é um caminho humilde, feito de gestos quotidianos, que entrelaça a paciência e a coragem, a escuta e a ação”, conclui.
Neste contexto, Leão XIV encoraja a “dar nome e forma ao novo, para que a fé, a esperança e a caridade se traduzam numa grande conversão cultural”. E insiste: “Desarmada e desarmante, a presença dos cristãos nas sociedades contemporâneas deve traduzir com competência e imaginação, o Evangelho do Reino em formas de desenvolvimento alternativas a caminhos de crescimento desprovidos de equidade e sustentabilidade. Para servir o Deus vivo, devemos abandonar a idolatria do lucro, que comprometeu gravemente a justiça, a liberdade de encontro e de troca, a participação de todos no bem comum e, em última análise, a paz”.
Além disso, “uma fé que se afasta da desertificação do mundo, ou que contribui indiretamente para a tolerar, deixaria de ser seguidora de Jesus Cristo”. O Papa acrescenta que a revolução digital em curso corre o risco de acentuar discriminações e conflitos, por isso, “deve ser acolhida com a criatividade daqueles que, em obediência ao Espírito Santo, já não são escravos, mas filhos”. Então, os desertos tornam-se jardins e os nossos lugares poderão transformar-se em ‘cidade de Deus’, conclui.
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- 14 jul, 2026







