23 ago, 2025 - 13:25 • Aura Miguel
“Preocupamo-nos com o rumo que o nosso mundo está a tomar, mas ansiamos por uma autêntica prosperidade humana, um mundo em que cada pessoa possa viver em paz, liberdade e plenitude, segundo o desígnio de Deus”, disse hoje o Papa aos representantes da ‘International Catholic Legislators Networ’ (Rede Internacional de Legisladores Católicos).
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Ao refletir sobre o tema deste encontro anual - “A Nova Ordem Mundial: Política das Grandes Potências, Domínios Corporativos e o Futuro da Prosperidade Humana” -, Leão XIV reconheceu “o emergir de novos centros de gravidade, a instabilidade de antigas alianças e a influência sem precedentes de multinacionais e da tecnologia, a par de muitos conflitos violentos”, aconselhando os legisladores e líderes políticos católicos, mergulhados na ‘cidade do homem’, a aprofundarem o que Santo Agostinho ensinou sobre ‘a cidade de Deus’, “obra que propõe uma visão de esperança e de significado que nos fala ainda hoje”, afirmou.
Neste contexto, Leão XIV considera fundamental esclarecer o significado da prosperidade humana. ”Hoje em dia, uma vida próspera é muitas vezes confundida com uma vida de riqueza material ou com uma vida de autonomia individual sem restrições. O chamado futuro ideal, que nos é apresentado, é frequentemente caracterizado pela comodidade tecnológica e pela satisfação do consumidor. Mas sabemos que isso não é suficiente. Vemo-lo nas sociedades ricas, onde muitas pessoas lutam contra a solidão, o desespero e uma sensação de falta de sentido”, reconhece.
O Papa sublinha que “a prosperidade humana autêntica deriva daquilo que a Igreja define como desenvolvimento humano integral, ou seja, do pleno crescimento da pessoa em todas as suas dimensões: física, social, cultural, moral e espiritual”. E lembra que esta visão da pessoa humana “está enraizada na lei natural, a ordem moral que Deus escreveu no coração humano, cujas verdades mais profundas são iluminadas pelo Evangelho de Cristo”.
No fundo, “a autêntica prosperidade humana manifesta-se quando as pessoas vivem virtuosamente e em comunidades saudáveis, desfrutando não só do que têm, mas também do que são como filhos de Deus. Garante a liberdade de procurar a verdade, de adorar a Deus e de criar uma família em paz. Inclui também uma harmonia com a criação e um sentido de solidariedade entre as classes sociais e as nações”, frisou.
Leão XIV sublinhou ainda que “o futuro da prosperidade humana depende de qual ‘amor’ escolhemos para organizar a sociedade: o amor a si mesmo ou o amor a Deus e ao próximo” e lembrou aos legisladores e funcionários públicos católicos que a sua vocação implica serem “construtores de pontes entre a cidade do homem e a cidade de Deus”.
Por fim, o Papa exortou-os a trabalhar por um mundo “em que o poder seja controlado pela consciência e em que a lei esteja ao serviço da dignidade humana”. E também os encorajou a “rejeitar a mentalidade perigosa e auto-destruidora que diz que nunca nada poderá mudar”.