PJ investiga onda de assaltos a igrejas na Diocese de Portalegre-Castelo Branco
18 set, 2025 - 08:31 • Henrique Cunha
A onda de assaltos começou há cerca de oito meses. Responsável pela Comissão dos Bens Culturais da Diocese de Portalegre- Castelo Branco revela que a PJ "tem acompanhado" a situação. O padre Francisco Valente adianta que as peças furtadas "muito facilmente entram até em redes internacionais".
O responsável pela Comissão dos Bens Culturais da Diocese de Portalegre-Castelo Branco revela em entrevista à Renascença que há uma onda de assaltos a igrejas na região desde há cerca de oito meses.
O padre Francisco Valente diz que o despovoamento do território é propicio a este tipo de prática.
Fernando valente diz que a Policia Judiciária está a companhar a situação, mas, por agora, não há pistas sobre os suspeitos.
Quando começou esta onda de assaltos?
Esta onda de assaltos que se tem verificado mais intensamente no território da Diocese de Portalegre-Castelo Branco verifica-se há cerca de oito meses a esta parte, mais ou menos, e tem tido por alvo várias igrejas de vários pontos da diocese.
Vou especular um bocadinho ou vou-lhe pedir que especule um bocadinho. O que explica esta realidade?
Eu não encontro nenhuma justificação. Os edifícios que têm sido alvos destes assaltos são, habitualmente, edifícios mais ou menos isolados, fora das malhas urbanas. Quem pretende fazer os furtos está mais à vontade e tem mais liberdade para poder atuar mais demoradamente e consiguir atingir os objetivos que pretende.
É, então, também uma consequência do despovoamento?
Sim, claro. A diocese está muito despovoada, é uma diocese do interior, são regiões cada vez mais esquecidas, com pouca população, com poucos recursos, com poucos meios. E isto também deixa as comunidades fragilizadas e mais à mercê da apetência de quem quer efetuar os furtos e causar dano.
E a Diocese pouco ou nada pode fazer neste caso...
A diocese pouco ou nada pode fazer. Temos feito um grande esforço: terminámos, há tempos, o inventário artístico de toda a diocese, que foi toda a percorrida. É um trabalho que ainda não está totalmente concluído, com os relatórios feitos, mas temos todo o património relevante inventariado. E tem sido também isso que nos tem valido para informarmos a Polícia Judiciária, inclusivamente, sobre os furtos, sobre a qualidade das peças, sobre todas as características de todo o património que tem sido furtado.
Ou seja, a situação tem sido denunciada às autoridades...
É claro que sim, é claro que a situação tem sido denunciada às autoridades. Num primeiro momento, às autoridades locais e, depois, a Polícia Judiciária tem acompanhado e tem feito a sua intervenção, na medida também da sua capacidade.
Ainda não foram localizadas nenhumas das peças que foram furtadas?
Nenhuma das peças foi localizada. Posso-lhe dizer que as peças são de muita qualidade, são peças de um património móvel integrado do século XV, do século XVI, do século XVII... São peças de altíssima qualidade. Muito facilmente, não digo isto com certezas, mas muito facilmente entram até em redes internacionais e em comércio internacional.
Cá, será difícil vendê-las porque seriam prontamente localizadas, dado o inventário feito?
Exatamente, exatamente. Torna-se fácil a identificação. Pois também parece que em Portugal não há nenhuma leiloeira que funcione incorretamente que pudesse aceitar peças sem saber exatamente a sua proveniência e da sua certificação, não é?
Por norma, associado a estes assaltos está também associado o vandalismo. Também acontece em Portalegre-Castelo Branca?
No último caso, que foi o da Igreja de Santo António, em Constância, o vandalismo foi uma consequência do furto. A igreja em causa tinha as paredes interiores todas cobertas de azulejo do século XVI, do século XVII e é claro que a tentativa de retirar o azulejo levou a que uma parte muito significativa do mesmo tivesse sido danificado.
Os casos estão em investigação, mas pergunto-lhe, sem pretender violar o segredo de justiça, se já foram identificadas algumas pistas que possam levar à identificação dos prevaricadores?
Eu, como presidente da Comissão para os Bens Culturais da Diocese de Portalegre-Castelo Branco, não tenho qualquer conhecimento.
- Noticiário das 3h
- 12 jun, 2026










