Ouvir
  • Noticiário das 3h
  • 13 jun, 2026
A+ / A-

Jubileu do Mundo do Trabalho 2025

D. Rui Valério: "O trabalho tem que ser sinónimo de promoção da dignidade do ser humano"

11 out, 2025 - 18:25 • Catarina Severino Alves

O Patriarca de Lisboa marcou presença no Jubileu do Mundo do Trabalho, organizado em conjunto com a Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE) e organizações de profissionais católicos. Foram debatidos temas como a fé e a dignidade no trabalho e os desafios introduzidos pela tecnologia no mercado laboral.

A+ / A-

O trabalho tem de ser sinónimo de promoção da dignidade humana e da justiça social. Esta foi a ideia defendida pelo Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, durante o Jubileu do Mundo do Trabalho, que decorreu este sábado, em Lisboa.

"Tem de ser um campo de realização do ser humano não só enquanto ser individual, mas enquanto ser social", explicou em declarações à Renasccença durante o evento.

Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui

D. Rui Valério considera que, em Portugal, "a grande parcela do trabalho feito é norteada por este sentido de justiça e por esta preocupação com a promoção da dignidade do ser humano". Nota, contudo, que existem "situações pontuais em que isso poderá não acontecer".

O Jubileu do Mundo do Trabalho discutiu temas que vão desde as questões éticas introduzidas por tecnologias como a Inteligência Artificial até à valorização social do trabalho.

No período que vivemos, D. Rui Valério destaca como principal desafio da Igreja "olhar com realismo para o presente e para a necessidade de atualizar e concretizar no mundo do trabalho os valores evangelicos", sempre "com um olho colocado no futuro, com autenticidade e verdade".

Na perspetiva do Patriarca de Lisboa, "o advento trazido pelo contributo da tecnologia" alterou o próprio significado de trabalho, gerando novas discussões sobre as temáticas laborais.

No Dia Mundial dos Cuidados Paliativos, o público foi ainda convidado a refletir sobre a "humanização do cuidado". Durante um dos painéis, Isabel Galriça Neto, diretora de Cuidados Continuados e Paliativos do Hospital da Luz de Lisboa, chamou a atenção para a falta de acesso a serviços de saúde deste tipo. Além disto, sublinhou a importância de ter compaixão e dar esperança na hora de cuidar.

Atualmente, 7 em cada 10 doentes paliativos não têm o acompanhamento necessário, uma situação que D. Rui Valério vê com preocupação.

"Os cuidados paliativos são a garantia de que o ser humano, mesmo doente, continua a ser humano, ou seja, um sujeito de direitos, de deveres, de liberdades que é preciso garantir", referiu.

O bispo, que vem da congregação religiosa dos Missionários Monfortinos, notou que a falta de cuidados conduz, infelizmente, "a que a pessoa se sinta um peso, se sinta um fardo" para os que a rodeiam.

Questionado sobre o papel da Igreja no cuidado destes doentes, D. Rui Valério afirma que está a interpelar o Estado para trabalhar neste âmbito.

"E quando é possível à Igreja, construir centros para esses cuidados", terminou.

O Jubileu do Mundo do Trabalho contou com dois painéis. O primeiro - "Desafios do Mundo do Trabalho" - era composto por Juan Ambrósio, professor de Teologia na Universidade Católica Portuguesa (UCP); Pedro Vassalo, gestor agrícola; Inês Graça, representante da Juventude Operária Católica (JOC); Eugénia Quaresma, diretora nacional da Obra Católica Portuguesa de Migrações; Bernardo Caldas, especialista em Ciência de Dados e Inteligência Artificial; e Marta Figueiredo, diretora da Fundação Jornada.

Já no segundo - "Um olhar de esperança no futuro" - tomou a palavra Manuel Carvalho da Silva, diretor do Laboratório Colaborativo para o Trabalho, Emprego e Proteção Social (CoLABOR); Ricardo Zózimo, professor de Gestão na NovaSbe; Isabel Galriça Neto, diretora dos Cuidados Continuados e Paliativos do Hospital da Luz de Lisboa; Patrícia Liz, presidente da Associação Cristã de Empresários e Gestores (ACEGE); e Pedro Almeida e Brito, advogado.

No final, D. Rui Valério presidiu à Eucaristia.

Ouvir
  • Noticiário das 3h
  • 13 jun, 2026
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Vídeos em destaque