12 out, 2025 - 23:24 • Olímpia Mairos
O arcebispo da Beira, em Moçambique, D. Cláudio Dalla Zuann, destacou este domingo, em Fátima, o papel de Maria como “Peregrina de Esperança” e mãe de toda a humanidade. A reflexão decorreu durante a Celebração da Palavra, que se seguiu à Procissão das Velas, reunindo no Santuário 150 mil fiéis.
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Presidindo à peregrinação internacional aniversária de outubro, o prelado sublinhou que Maria continua a acompanhar os seus filhos, especialmente em tempos de sofrimento e incerteza.
“Maria, como serva fiel, encarrega-se desta missão maternal velando, protegendo e apontando o caminho a nós, seus filhos, e, por vezes, torna-se também presente, de forma mais intensa e percetível, em certos momentos da nossa peregrinação sobre a terra, em momentos mais sombrios”, afirmou D. Cláudio Dalla Zuann.
Inspirando-se na Palavra do Livro do Apocalipse proclamada na celebração, o arcebispo comparou os desafios atuais do mundo às trevas do ódio e da guerra, lembrando que o mal — simbolizado pelo “dragão com múltiplas cabeças” — continua a espalhar destruição.
“Como em 1917, quando a Europa se encontrava envolvida em conflitos e filhos desta terra morriam na guerra, também hoje assistimos ao sinal que o texto do Apocalipse nos apresenta: o enorme dragão do mal arrasta morte e destruição sobre tantos lugares deste nosso mundo”, observou o prelado.
Segundo D. Cláudio, esta imagem sombria é respondida pela ação salvadora de Deus, que leva “a esplêndida mulher do livro do Apocalipse, assim como o seu Filho, para um lugar seguro, para junto de Deus” — sinal da vitória do bem sobre o mal.
O arcebispo recordou as palavras do Papa Francisco, que apresenta Maria como exemplo de fé e confiança absolutas em Deus.
“Em Maria, Deus encontrou a criatura que acolhe com total disponibilidade a Sua vontade”, sublinhou.
Convidando os fiéis a acolherem Maria como mãe e guia, o presidente da celebração pediu que cada um viva essa relação com docilidade e compromisso cristão.
“Como Maria escutou e acolheu as palavras a ela dirigidas e assumiu a missão de ser nossa mãe, escutemos também nós as palavras a nós dirigidas e acolhamos o dom de sermos seus filhos, de sentirmos o seu amparo, de seguirmos com confiança as suas indicações e contemplarmos nela a realização do quanto nos é prometido”, pediu.
D. Cláudio Dalla Zuann apelou ainda à vivência da fé como caminho de unidade e reconciliação.
“Como filhos dóceis escutemos e ponhamos em prática a palavra do seu Filho Jesus tecendo assim novas relações que vão além do sangue, da nação ou da cultura”, exortou, sublinhando que “este é o caminho para a paz no mundo”.
A celebração terminou com um convite à esperança e à confiança na promessa deixada pela Virgem em Fátima.
“Como Nossa Senhora e com ela, escutemos e guardemos a Palavra do Senhor nos nossos corações”, concluiu o arcebispo, recordando as palavras de Maria: “O meu Coração Imaculado triunfará.”
O arcebispo da Beira, D. Claudio Dalla Zuanna, afirmou-se como peregrino na Cova da Iria, onde disse vir trazer as esperanças e desafios da Igreja moçambicana.
“Venho como peregrino, trazendo comigo os anseios da Diocese da Beira e de todo Moçambique. A nossa Igreja está a crescer e tem assistido, nos últimos anos, a um aumento de vocações consagradas e sacerdotais”, afirmou D. Claudio Dalla Zuanna.
Durante a conferência de imprensa de apresentação da peregrinação, o arcebispo destacou como principal desafio da Igreja em Moçambique a necessidade de construir um segundo seminário teológico, para acolher o número crescente de vocações.
Apesar desse crescimento, reconheceu que as vocações ainda são insuficientes para a dimensão e extensão do país.
D. Claudio Dalla Zuanna assinalou ainda que Fátima é um ponto de encontro do mundo inteiro. A mensagem de Nossa Senhora, afirmou, não se limita a um tempo nem a um povo, mas fala “a toda a Igreja e a toda a humanidade”.
De acordo, com o Santuário inscreveram-se para esta peregrinação 154 grupos, provenientes da Europa, África, América e Ásia, com 6.016 peregrinos.
A imagem original de Nossa Senhora de Fátima, que esteve em Roma durante a Jornada da Espiritualidade Mariana a pedido do Papa Leão XIV, regressou esta noite ao Santuário de Fátima. No final da Procissão das Velas e do Silêncio, será colocada na Capelinha das Aparições, acompanhada pela rosa de ouro.