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Arcebispo da Beira exorta peregrinos em Fátima à conversão, caridade e construção da paz

13 out, 2025 - 11:00 • Olímpia Mairos

Durante a peregrinação internacional aniversária de outubro, D. Claudio Dalla Zuanna incentivou à procura do bem na política, sem cair nos atropelos à dignidade humana.

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O arcebispo da Beira, D. Claudio Dalla Zuanna, destacou nesta segunda-feira, durante a peregrinação internacional aniversária de outubro em Fátima, a importância da caridade e da conversão pessoal como caminhos para a construção da paz e da edificação da Igreja.

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Na homilia proferida no recinto do Santuário, o prelado sublinhou que Maria ensina aos fiéis o valor espiritual dos sacrifícios oferecidos a Deus e o compromisso com o bem comum.

“Neste lugar, Maria mostrou-nos o valor da oferta dos nossos sacrifícios para a vinda do Reino de Deus, Reino de justiça e de paz”, afirmou D. Claudio, lembrando que os sacrifícios agradáveis a Deus não se limitam a penitências físicas, mas devem traduzir-se em gestos de caridade, perdão e solidariedade.

“A experiência de fé deve abrir-nos à vivência da caridade. A caridade torna-se o critério de autenticidade da nossa vida cristã”, acrescentou o arcebispo, apelando a uma vivência cristã coerente e comprometida com a transformação das estruturas injustas que oprimem os mais frágeis e pobres.

O prelado apontou como sacrifícios espirituais agradáveis a Deus “não tanto dores físicas, por vezes autoimpostas, mas expressão da caridade, como a renúncia a interesses pessoais, também legítimos, para que as outras pessoas possam ter quanto precisam para a sua vida”.

D. Claudio destacou também “o sacrifício do perdão oferecido pelas ofensas recebidas, a honestidade na gestão do que nos foi confiado, a dedicação no trabalho, a procura do bem comum na política, sem cair nos atropelos à dignidade humana, transformando as estruturas iníquas que oprimem e marginalizam, mormente os débeis e os pobres”.

Ao refletir sobre o significado espiritual de Fátima, D. Claudio recordou o pedido de Nossa Senhora para que se construísse “uma capela em sua honra”, afirmando que o Santuário é um lugar privilegiado de encontro entre Deus e a humanidade.

“Maria, arca da nova aliança, Mãe do Filho de Deus, torna-se o lugar do encontro entre a humanidade sofredora e a Misericórdia do Pai”, destacou.

O arcebispo da Beira convidou ainda os fiéis a serem “pedras vivas” na construção da Igreja e testemunhas da esperança no mundo: “O Senhor quer que sejamos pedras vivas na edificação da sua Igreja, que tem em Jesus Cristo a pedra angular, escolhida e preciosa.”

Para D. Claudio Dalla Zuanna, a paz — tão necessária no mundo atual — só é possível mediante a conversão pessoal de cada fiel. “A paz de que tanto precisamos, como no tempo das aparições, só é possível se o coração de cada um se abrir ao bem, ao perdão, à solidariedade e ao cuidado da vida.”

“A paz, de que tanto precisamos nestes dias, de modo especial na Ucrânia e na Terra de Jesus, realidades que sentimos tão próximas de nós. Mas também em tantos outros lugares do mundo. No Myanmar, por exemplo — de onde hoje está connosco um bispo que participa nesta celebração —, certamente ele traz em seu coração os anseios de paz, serenidade e fraternidade de seu povo. E não podemos esquecer Cabo Delgado, em Moçambique, minha terra natal, nem o Sudão, e tantos outros lugares do nosso planeta que clamam por reconciliação e esperança”, enumerou.

A concluir a homília, o prelado convidou os fiéis a confiarem a oração e a vida à intercessão de Maria, recordando as palavras de São João Paulo II durante o ato de consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria, em 24 de março de 1984 — palavras que, segundo D. Claudio, “mantêm plena atualidade no tempo presente”.

“Ó Mãe dos homens e dos povos, Vós que conheceis os seus sofrimentos e as suas esperanças, Vós que sentis maternalmente todas as lutas entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas que abalam o mundo contemporâneo, acolhei o nosso clamor, que, movidos pelo Espírito Santo, elevamos diretamente ao Vosso Coração.
Abraçai, com amor de Mãe e de Serva do Senhor, este nosso mundo humano, que Vos confiamos e consagramos...
Que se revele, uma vez mais, na história do mundo, a força salvífica da Redenção — a força do Amor misericordioso!
Que o mal se detenha, que transforme as consciências e que, em vosso Imaculado Coração, se manifeste para todos a luz da esperança!”, proclamou o arcebispo.

De acordo com o Santuário de Fátima, estiveram presentes nesta peregrinação de outubro dois cardeais, D. António Marto e D. Américo Aguiar, 21 bispos, 269 sacerdotes, 11 diáconos e 110 mil fiéis.

Nas celebrações deste 13 de outubro esteve já a centenária Imagem de Nossa Senhora de Fátima, regressada ontem de Roma, onde esteve a pedido do Santo Padre.

A Rosa de Ouro que o Papa Leão XIV ofereceu a Nossa Senhora de Fátima e ao Santuário foi colocada junto à Imagem, no altar do Recinto de Oração, após o momento de incensação, no início da celebração.

Leão XIV tornou-se, assim, o quarto Papa a realizar este gesto de veneração a Nossa Senhora de Fátima.

Em maio de 2017, o Papa Francisco entregou pessoalmente uma Rosa de Ouro ao Santuário de Fátima, na Capelinha das Aparições, por ocasião do centenário das aparições.

Bento XVI havia sido o primeiro pontífice a oferecer a Rosa de Ouro em pessoa, durante a oração que proferiu na Cova da Iria, a 12 de maio de 2010, como uma “homenagem de gratidão” a Nossa Senhora de Fátima.

Antes dele, o Papa Paulo VI concedera a primeira Rosa de Ouro ao Santuário de Fátima, em 21 de novembro de 1964, ao encerrar a terceira sessão do Concílio Vaticano II. A distinção foi entregue em 13 de maio de 1965 pelo cardeal Fernando Cento, enviado pontifício.

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