D. Claudio Dalla Zuann: “Cabo Delgado vive uma verdadeira guerra civil”
13 out, 2025 - 08:00 • Olímpia Mairos
Em Fátima, o arcebispo da Beira apelou a uma visão mais solidária do mundo e lamentou que conflitos africanos, como o de Cabo Delgado, recebam pouca atenção.
O arcebispo da Beira, em Moçambique, D. Claudio Dalla Zuann, alertou, no Santuário de Fátima, para as múltiplas situações de guerra que se vivem atualmente no mundo, destacando em particular o conflito em Cabo Delgado.
“A nossa comunicação social, sobretudo aqui na Europa, volta naturalmente as suas atenções para aquilo que acontece mais perto de nós - como as guerras na Ucrânia e na Palestina. No entanto, neste momento existem muitos outros focos de conflito e de sofrimento, provocados pela exploração ou por diversos tipos de confrontos”, afirmou o prelado.
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Em declarações aos jornalistas, D. Claudio sublinhou que também em Cabo Delgado se vive uma verdadeira guerra.
“Podemos falar de uma guerra civil, de certa forma, porque é dentro de Moçambique e são moçambicanos que atacam outros moçambicanos — ainda que movidos por interesses que não são apenas internos ao país”, apontou.
O arcebispo apelou a uma visão mais ampla e solidária do mundo, recordando como os conflitos globais estão interligados.
“Por exemplo, o trigo que chega a Moçambique vem da Rússia e da Ucrânia; por isso, o aumento do preço do pão está diretamente ligado à escassez desses produtos. Há uma relação direta entre os acontecimentos. Contudo, parece ter-se instalado no mundo uma mentalidade de defesa exclusiva dos próprios interesses — nacionais, partidários ou pessoais. Estamos virados para o ‘eu primeiro, os outros depois’”, alertou.
D. Claudio Dalla Zuann lamentou ainda que os recursos de Moçambique e de outros países africanos, como o Congo ou Angola, sejam frequentemente explorados por interesses externos.
“Os nossos recursos são muitas vezes utilizados fora dos nossos países, em benefício de outros. Por isso, é importante falar dos vários conflitos, mas sem os ver como realidades isoladas. Há algo que liga todos esses dramas humanos”, enfatizou
O arcebispo concluiu apelando a que também na Europa se fale mais frequentemente sobre o que se passa em Cabo Delgado.
“Como o Papa Leão recordou há cerca de um mês, é importante que se dê visibilidade a essas situações. Talvez também aqui na Europa se fale um pouco mais sobre o sofrimento do povo moçambicano”, apontou.
- Noticiário das 16h
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