28 out, 2025 - 18:20 • Henrique Cunha
Papa Leão XIV diz que "aqueles que não rezam abusam da religião, até mesmo ao ponto de matar". No final do encontro promovido pela Comunidade de Sant’Egídio, um encontro de oração que juntou representantes de diversas confissões religiosas, sob o lema “Ousar a Paz”, Sua Santidade sublinhou que "a oração é um movimento do espírito, uma abertura do coração".
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O Papa disse que a oração "não são palavras gritadas, nem comportamentos exibidos, nem slogans religiosos usados contra as criaturas de Deus", pois "temos fé que a oração muda a história dos povos", e manifestou o desejo de que "os lugares de oração sejam tendas de encontro, santuários de reconciliação, oásis de paz".
“Basta de guerras, com os seus dolorosos amontoados de morte, destruição e exílio!”, exortou.
O Papa agradeceu aos “representantes das Igrejas cristãs e das grandes religiões do mundo” que se juntaram esta terça-feira no Coliseu de Roma para rezar pela paz, e no seu discurso, Leão XIV assegurou que “o mundo tem sede de paz”. No final de um momento de oração ecuménica e perante representantes de diversas religiões que se reuniram no Coliseu de Roma para o "Encontro Internacional pela Paz - as Religiões e as Culturas em diálogo", Leão XIV afirmou que “o mundo precisa de uma solida época de reconciliação”. “O mundo tem sede de paz; precisa de uma verdadeira e sólida época de reconciliação que ponha fim à arrogância, à demonstração de força e ao desrespeito pela lei. Basta de guerras, com os seus dolorosos amontoados de morte, de destruição e de exílio!”, exortou.
Leão XIV lembrou o dia 27 de outubro de 1986, data em que São João Paulo II convidou os líderes religiosos do mundo para rezarem em Assis pela paz, sublinhando “o momento histórico”, como “um ponto de viragem nas relações entre as religiões”. No "espírito de Assis", ano após ano, esses encontros de oração e diálogo continuaram criando um clima de amizade entre os líderes religiosos”, reforçou.
E recordou a mensagem que no ano passado, o Papa Francisco escreveu aos líderes religiosos que se encontraram em Paris: “Devemos afastar das religiões a tentação de se tornarem instrumentos que alimentam o nacionalismo, o etnicismo e o populismo. As guerras estão em ascensão. Ai daqueles que tentam arrastar Deus para participar das guerras!”.
“Faço minhas estas palavras e as repito com força: a guerra nunca é santa, só a paz é santa, porque é a vontade de Deus!”, sublinhou. E continuou: “Não podemos aceitar que este tempo de guerra perdure, que molde a mentalidade dos povos, que nos habituemos à guerra como sendo uma companheira normal da história humana. Basta! Este é o grito dos pobres e o grito da terra. Basta!”.
O Papa concluiu o seu discurso com um apelo aos governantes para que ousem fazer a paz.
“Este é o apelo que nós, líderes religiosos, dirigimos de todo o coração aos governantes. Fazemos eco do desejo de paz do povo. Falamos por aqueles que não são ouvidos e que não têm voz. Precisamos de ousar fazer a paz! E se o mundo se fizer de surdo a este apelo, estamos certos de que Deus ouvirá a nossa oração e o lamento de tantos que sofrem. Porque Deus quer um mundo sem guerra. Ele libertar-nos-á deste mal!”, concluiu.