08 nov, 2025 - 08:00 • Aura Miguel
Completam-se, neste sábado, seis meses da eleição de um novo Papa, cujo pontificado é inovador em muitos aspetos. O impacto positivo da eleição, pela primeira vez, de um Sucessor de Pedro matemático e americano, pela primeira vez peruano e com experiência missionária durante décadas, religioso da Ordem de Santo Agostinho e com outras facetas inéditas, tem gerado entusiasmo e muita curiosidade.
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Números recentes, divulgados pelo Vaticano, apontam para cerca de 24 milhões de peregrinos presentes, até agora, em Roma, para participar no Jubileu da Esperança. Inaugurado por Francisco a 24 de dezembro de 2024, o Jubileu será encerrado por Leão XIV no dia 6 de janeiro de 2026.
Seis meses depois da eleição de Prevost, a 8 de maio de 2025, o que se pode dizer sobre o seu estilo e prioridades? A resposta, para já, é simples: do seu estilo, muita coisa; das suas prioridades, nem tanto.
A disponibilidade do jovem Papa para acolher a multidão de peregrinos que o procura é extraordinária. Muitas horas do seu pontificado são passadas a acenar, a receber e abençoar crianças e bebés, doentes e jovens casais, a interagir com quem lhe atira lembranças de todo o tipo, põe bonés na cabeça, oferece t-shirts, livros e pede autógrafos. Enfim, parece que tem todo o tempo do mundo para quem o procura.
Com uma agenda diária sempre intensa, Leão XIV herdou muitos assuntos e encontros já previstos na agenda de Francisco, incluindo a celebração dos 10 anos da Laudato Si’, o esboço do documento Delexit te e todas as iniciativas relacionadas com o Jubileu, desde os jovens em Tor Vergata aos agentes sinodais, passando pelas realidades do mundo académico e pelos influentes digitais. No entanto, fora desta agenda e da atualidade internacional inerente às funções de Chefe de Estado (visitas de governantes, audiências a líderes políticos, mensagens e apelos de paz e a próxima visita apostólica à Turquia e ao Líbano), não há grandes novidades.
No atual contexto, com a Igreja algo polarizada e com vários dossiês considerados “polémicos”, muitos se interrogam “para que lado vai pender” este pontificado. Que nomeações irá fazer? Quem será substituído na Cúria?
Os seus amigos da Ordem Agostiniana descrevem Robert Prevost como um homem prudente, de boa índole, que ouve muito, não se precipita e tem os pés assentes na terra. No fundo, trata-se de um religioso que governou a sua Congregação durante 12 anos, habituado a amadurecer escolhas depois de ter ouvido as partes em causa.
Nestes dias, alguns analistas referem que Leão XIV vai esperar pelo encerramento do Jubileu para, só depois, avançar e definir prioridades e nomeações. Certo é que, eleito aos 69 anos, Prevost anunciou, desde a primeira hora do seu pontificado, na homilia de 18 de maio, que o seu primeiro grande desejo é manter “uma Igreja unida, sinal de unidade e comunhão, que se torne fermento de unidade, comunhão e fraternidade para um mundo reconciliado”.
E, por experiência própria, Leão XIV sabe que, para consolidar uma Igreja capaz de construir pontes e cultivar o diálogo, não se pode ter pressa.