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Abusos

Abusos sexuais. Vaticano terá aberto investigação a bispo de Cádis

10 nov, 2025 - 12:57 • Ana Kotowicz

Rafael Zornoza é acusado de abusos sexuais nos anos 1990. É a primeira vez que, em Espanha, se torna público que um bispo está a ser investigado canonicamente por um crime de pedofilia.

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O Vaticano estará a investigar o bispo de Cádis e Ceuta por alegados abusos sexuais. A notícia é avançada pelo jornal espanhol El País que teve acesso ao documento no qual a alegada vítima relata os abusos que terão ocorrido durante os anos 1990. À data dos acontecimentos, Rafael Zornoza, 76 anos, era sacerdote em Getafe e dirigia o seminário da diocese.

Esta é a primeira vez que, em Espanha, se torna público que um bispo está a ser investigado canonicamente por um crime de pedofilia.

A diocese de Cádis e Ceuta já reagiu à notícia e, em comunicado divulgado pelo jornal ABC, desmente a informação: "As acusações que são feitas, referentes a factos ocorridos há quase trinta anos, são muito graves e, além disso, falsas."

Denúncia enviada para o Dicastério para a Doutrina da Fé

O diário espanhol El País escreve ainda que a vítima enviou a denúncia por correio para o Dicastério para a Doutrina da Fé, durante este verão, mas sem se precisar a data exata.

Já a diocese refere que "o caso foi remetido na semana passada ao tribunal da Rota da Nunciatura Apostólica em Espanha", garantindo que será prestada toda a colaboração necessária. "Ao mesmo tempo, é importante recordar o respeito pela presunção de inocência que assiste a todas as pessoas", lê-se na nota.

Abusos terão acontecido no seminário

“Escrevo esta carta apenas com a intenção de evitar que o que me aconteceu possa a acontecer a outro menino”, afirma a alegada vítima nas primeiras linhas da sua carta, citada pelo El País, na qual acusa o atual bispo de ter abusado dele entre os 14 e os 21 anos. À data dos acontecimentos, Zornoza tinha 45 anos.

“Dos 14 aos 18 anos ia quase todos os fins de semana ao Seminário Maior do Cerro de los Ángeles. Durante esse tempo ele abusou de mim. Era à noite, quando vinha ao quarto, que sofria os abusos", é relatado na carta. "Nunca disse nada — a paralisia dominava-me”, detalha a alegada vítima na carta a que o El País teve acesso.

Anos mais tarde, escreve o antigo seminarista, “revelei-lhe a minha homossexualidade; o Rafa permitiu-me ingressar no seminário e levou-me a uma terapia de conversão para curar a minha homossexualidade”.

Os abusos, segundo o relato revelado na imprensa espanhola, terminaram quando a alegada vítima — que descreve Zornoza como alguém com grande capacidade de manipulação — completou 21 anos.

Além disso, afirma que não tinha consciência de que tinha sofrido abusos. Só mais tarde, depois de fazer terapia, percebeu. “Aos 32 anos escrevi-lhe um e-mail a dizer que tinha abusado de mim. Nunca respondeu, e desde esse dia nunca mais falou comigo.”

Rafael Zornoza nasceu em Madrid em 1949 e foi ordenado sacerdote em 1975. Em 2011, o papa Bento XVI nomeou-o bispo de Cádis e Ceuta.

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