10 nov, 2025 - 17:48 • Isabel Pacheco
A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) admite estender, para lá do final deste ano, o prazo para as compensações financeiras das vítimas de abusos na Igreja.
A hipótese foi admitida, esta segunda-feira, pelo presidente da CEP, D. José Ornelas que reconheceu ser “possível que o prazo se estenda para além do previsto”.
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Em causa, justificou o prelado, estão fatores “como o alargamento dos prazos para acolher mais alguns pedidos, a remarcação de entrevistas das Comissões de Instrução devido às dificuldades de deslocação de alguns interessados e o volume de pedidos a ser analisados pela Comissão de Fixação da Compensação”.
Em Fátima, durante a conferência de abertura da 212.ª Assembleia Plenária da CEP , D. José Ornelas reiterou que “a proteção de menores e adultos vulneráveis é um caminho de conversão exigente e necessário” e que começa a dar os seus frutos.
“Estamos num caminho que não voltará atrás”, reafirmou o presidente da CEP, reconhecendo que, “apesar do muito trabalho ainda a fazer para garantir uma Igreja cada vez mais segura, a transparência, proteção e cuidado dos mais frágeis estão a tornar-se numa cultura permanente”.
A dois meses de eleições presidenciais, D. José Ornelas apela a “mais consensos” na política.
O presidente da CEP dirigiu-se, esta segunda-feira, aos “homens e mulheres que servem a política” para pedir compromissos com o bem comum em tempo “de renovação das estruturas democráticas”.
“Com as eleições legislativas realizadas em maio, as autárquicas no mês passado e a aproximação das presidenciais a 18 de janeiro de 2026 – é urgente que os homens e as mulheres que servem na política busquem mais consensos, se comprometam verdadeiramente com o bem comum e procurem garantir a paz social, na dignidade e na justiça”, pediu o bispo de Leiria-Fátima.
Durante a intervenção que abriu a Assembleia Plenária da CEP, D. José Ornelas insistiu, ainda, na rejeição ao discurso de ódio que cultiva o “medo, a desconfiança e agressividade”.
“A nação só floresce quando cada cidadão reconhece no outro um irmão – não um inimigo”, apontou o prelado, lembrando que a Igreja convida a rejeitar “as palavras fáceis que prometem soluções rápidas, mas que alimentam ressentimentos e destroem pontes”.
Sobre os migrantes e no sentido de “interpelar a capacidade acolher e integrar” na construção de uma sociedade “onde ninguém é excluído ou descartado”, D. José Ornelas anuncia a realização de um encontro em Fatima dedicado ao tema.
“Um migrante é um irmão e não uma ameaça”, vincou. Por isso, acrescentou, “no próximo sábado, 15 de novembro, realizaremos, aqui em Fátima, um “Fórum Migrações”, com o objetivo de sensibilizar e formar as nossas comunidades para o fenómeno migratório e contribuir para a reflexão desta temática, na Igreja e na sociedade em geral”, adiantou D. José Ornelas.
A 212.ª Assembleia da Conferencia Episcopal Portuguesa decorre em Fátima, até quinta feira.