13 nov, 2025 - 21:18 • Ana Catarina André , com redação
Os cartazes do Chega, com mensagens contra as comunidades imigrante e cigana, são “uma manipulação feita com outros objetivos”, disse esta quinta-feira o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP).
D. José Ornelas falava durante uma conferência de imprensa, em Fátima, no final da Assembleia Plenária dos bispos portugueses.
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Questionado sobre a divulgação de cartazes do Chega, com as inscrições "os ciganos têm de cumprir a lei" e "isto não é o Bangladesh", o presidente da CEP voltou a frisar que os migrantes devem ser vistos “como alguém que está a dar um contributo notável” à sociedade e que “pede para ser acolhido”.
“Só assim é que se constrói um futuro, porque qualquer forma de pôr de parte e de ostracizar estas pessoas não conduz a nada de bom, nem agora, nem no futuro. Não é justo, não é verdadeiro e, portanto, é uma manipulação que é feita com outros objetivos - nós não entramos nisso”, garantiu o também bispo de Leiria-Fátima.
A Procuradoria-Geral da República abriu um inquérito a cartazes do Chega com referências ao Bangladesh e à comunidade cigana. A investigação foi aberta depois da Comissão Nacional de Eleições ter remetido queixas sobre os cartazes do partido de André Ventura.
Na conferência de imprensa desta quinta-feira, em Fátima, a CEP destacou também “os tempos desafiantes que se vivem em Portugal, com tensões políticas, desigualdades sociais e erosão da confiança nas instituições”, e o “sofrimento causado pelas guerras, conflitos e perseguições por motivos de fé”, os bispos pediram, ainda, aos fiéis que rezem “por uma paz desarmada e desarmante, como convida o Papa Leão XIV”.
Nesta Assembleia Plenária da CEP, que decorreu entre os dias 10 e 13 de novembro, foi aprovada ainda a reorganização das Comissões Episcopais e reforçada “a importância de implementar o Documento Final XVI da Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos no seio das comunidades”.