15 nov, 2025 - 08:15 • Ângela Roque
A Juventude Operária Católica está contra as propostas do Governo para o pacote laboral. Pedro Esteves, o coordenador nacional da JOC, diz à Renascença que muitas das alterações propostas são lesivas dos interesses dos jovens.
“Claramente, não faz nenhum sentido este pacote laboral. Tem propostas que vão precarizar muito mais os jovens. A questão de aumentar o tempo dos contratos a prazo, não ter um contrato a tempo inteiro são condições que vão precarizar mais os jovens, que estão numa situação, por si só, já bastante precária na legislação atual. Ter contratos a termo faz com que seja difícil – difícil ou quase impossível - um crédito de habitação, ou seja, impede os jovens de ter casa, de terem a sua independência. Os jovens estão numa situação extremamente precária e ainda se quer precarizar mais essa situação”, afirma.
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Estar atentos aos problemas que afetam os jovens é uma das missões da JOC, um movimento católico “apartidário, mas não apolítico”, explica Pedro Esteves, que fala da sua representatividade. A Juventude Operária Católica assinala este sábado os 90 anos de presença em Portugal, mas em termos internacionais o movimento já é centenário.
“Existe a JOC em muitos países no mundo. É um movimento que está bastante vivo, em alguns países mais que outros. Em França tem muita força, por exemplo. Aqui em Portugal não tem a mesma força que já teve antigamente, as situações laborais e históricas são diferentes, mas é um movimento que vai fazendo o seu caminho, vai fazendo a evangelização da juventude trabalhadora da maneira que a realidade lhe permite, adaptando-se à realidade do trabalho hoje em dia, que não é a mesma que há 10, 20, 30 anos”.
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O presidente da equipa nacional da JOC não esconde que há hoje mais dificuldades em captar novos elementos, mas de uma coisa tem a certeza - continua a fazer sentido pertencer a um movimento que, para além da missão evangelizadora, defende os interesses dos jovens trabalhadores. Em Portugal está hoje presente em poucas dioceses. “Neste momento estamos na diocese do Porto, de Aveiro, de Santarém, temos a nossa sede em Lisboa e temos um grupo de jovens a fazer a caminhada para a militância, em Leiria também”.
“Hoje é um pouco mais complicado fazer a expansão em mundo do trabalho, porque as pessoas também estudam até mais tarde, felizmente. Há mais possibilidades de ir para a universidade, que já não é tão elitista. Como para estar no movimento a idade limite é os 30 anos, se uma pessoa começa a trabalhar aos 22, 23, quando termina o mestrado, por exemplo, tem menos tempo de caminhada para poder fazer até aos 30. Ou seja, antigamente a JOC se calhar era um movimento muito mais ativo no mundo do trabalho, a dar ferramentas a quem já trabalhava, atualmente é um movimento um pouco mais quase de prevenção: enquanto ainda somos estudantes já refletimos sobre o mundo do trabalho e começamos a ganhar essas ferramentas para quando começarmos a trabalhar já termos uma visão diferente”.
Os 90 anos da Juventude Operária Católica são assinalados este sábado com um evento em Aveiro, diocese a que pertence Pedro Esteves, de 24 anos, e que lidera a JOC desde o final de 2023. Nestas declarações não esconde que gostaria que a JOC tivesse mais atenção e apoio da hierarquia da Igreja. “Sentimos o apoio de alguns padres e alguns antigos bispos que já conheciam a JOC, por terem sido assistentes nacionais”, mas seria bom serem mais valorizados, porque o que fazem “tem importância” e é necessário, ainda mais no atual contexto em que a vida dos jovens está muito difícil.
Pedro Esteves diz que a Igreja precisa de “jovens comprometidos”, como os que integram a JOC. “Costumamos dizer que para vamos não tiramos jovens de lado nenhum: não tiramos jovens da catequese, nem dos grupos de jovens, nem dos coros. O nosso objetivo é mesmo ajudá-los a, onde eles estão, estarem realmente comprometidos”.
Expandir o movimento é um objetivo para 2026, depois de no último triénio terem participado ativamente em várias atividades. “Estivemos no 1º de maio, tivemos em atividades com muitos outros movimentos, participámos no Conselho Nacional da Juventude, quer nas suas assembleias, quer no Encontro Nacional de Jovens. Sobretudo este ano, do 90º aniversário, foi um ano pesado. Agora vamos focar-nos mais na expansão”, com um prometido empenho especial nas comemorações do próximo Dia do Trabalhador, no tradicional acampamento anual, em agosto. Está também prevista uma formação ao logo do ano sobre a doutrina social da Igreja.