25 nov, 2025 - 08:20 • Olímpia Mairos
Na sua mensagem para o Advento, o bispo de Setúbal, D. Américo Aguiar, lança um apelo para que este tempo litúrgico não seja vivido como “mais um Advento, mais um Natal”, mas sim como “O Advento” e “O Natal”, marcado pela consciência do mistério da Encarnação e pela atenção aos dramas do mundo.
O prelado vai mais longe e alerta para a realidade global sublinhando que não se podem esquecer locais onde se vive a “terceira Guerra Mundial aos bocadinhos” e onde “há fome, há destruição, há medo”.
“Enquanto escrevo estas linhas, o mundo assiste à possível capitulação do povo ucraniano. Não sei como será vivido o Natal na Ucrânia, nem em Gaza, nem em Myanmar, nem em Cabo Delgado, Moçambique, na Venezuela, em tantos outros pontos do nosso mundo onde se vive a ‘Terceira Guerra Mundial aos bocadinhos’, como nos dizia o Papa Francisco”, escreve o cardeal Américo Aguiar.
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Face à fome, destruição e medo que assolam milhões, D. Américo lembra que o Natal fala de Esperança, Alegria e Paz, e desafia os cristãos a não esquecerem as vítimas da guerra: “Que sejamos capazes de partilhar o que somos e o que temos, mesmo o que nos pode vir a fazer falta”.
“Sei que há fome, há destruição, há medo. Há famílias desfeitas, crianças órfãs. A guerra foi, é e será sempre o pior de todos os males de que o homem é capaz. Porque anula, destrói e corrompe a dignidade humana, aquela a que todos somos elevados desde o momento em que nascemos”.
Na mensagem intitulada “É possível…”, o cardeal D. Américo Aguiar desafia à vivência deste tempo litúrgico "como se fosse o único e não mais um", sublinhando que o Advento é uma oportunidade para parar e contemplar a maravilha da Encarnação de Deus, “o maior mistério da história da Humanidade”, convidando os fiéis a dedicar quatro semanas à preparação espiritual, como quem faz caminho até à gruta de Belém.
“Na Terra Santa, ajoelhamo-nos para beijar aquele espaço sagrado e percebemos como somos pequenos perante o mistério. Gostava muito que vivêssemos este Advento assim, conscientes do mistério, ajoelhados perante o Menino e felizes pela maravilha que nos acontece”, pede.
D. Américo Aguiar recorda que, apesar da força comercial e das tradições modernas, é possível recuperar a essência do Natal: fazer o presépio em casa e nos espaços públicos, viver a cadência das quatro velas do Advento, cultivar a generosidade e transformar presentes materiais em gestos concretos de solidariedade, como visitas a hospitais, prisões ou acolhimento de quem está só.
“É possível não deixar de fazer o presépio em cada uma das nossas casas. É possível fazer o presépio nas montras dos nossos estabelecimentos comerciais. É possível encontrar algum tempo do nosso tempo, para perceber a cadência das quatro semanas do Advento”.
O bispo de Setúbal reforça ainda que “é possível não criar expectativas nas crianças, sobre brinquedos e mais brinquedos e, antes pelo contrário, plantar nos seus pequeninos corações, a semente da generosidade que se faz atenção aos que menos têm e dádiva de uma pureza que só os mais pequeninos conseguem”.
O cardeal entende também que “é possível transformar ofertas materiais em visitas aos hospitais, às prisões, em sorrisos que não se compram, nem vendem. É possível ter um lugar vazio nas nossas mesas, disponível para quem nos bata à porta”.
“O que vos peço, e peço a Deus que me ajude, é sermos capazes de Amar verdadeiramente o Outro neste Natal. Que sejamos capazes de não esquecer a guerra que assola o mundo. Que sejamos capazes de partilhar o que somos e o temos, mesmo o que nos pode vir a fazer falta”, completa.
A mensagem conclui com um convite à vivência autêntica do mandamento do amor: “Amar a Deus sobre todas as coisas e amar os outros como a nós mesmos”, como resposta concreta ao Jubileu da Esperança que a Igreja está a viver.