02 dez, 2025 - 16:40 • Aura Miguel , com redação
O Papa defendeu esta terça-feira a importância da participação da Europa nas negociações para acabar com a guerra na Ucrânia e para que seja alcançada uma "paz justa".
"O Presidente dos Estados Unidos pensa que pode promover um plano de paz [na Ucrânia], pelo menos num primeiro momento, sem a Europa. Mas a presença da Europa é importante e a primeira proposta foi modificada" com os contributos da Europa, declarou Leão XIV aos jornalistas, na viagem de regresso a Roma após uma visita ao Líbano e à Turquia.
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O Santo Padre acredita que "a paz sustentável é possível". "Acredito que poderá ser alcançada se falarmos uns com os outros em espírito de paz”, salientou.
Leão XIV pretende continuar a manter o contacto com os líderes que encontrou nestes dias, não só com a Turquia e o Líbano, mas com outros países dia região.
Missa teve mais de 150 mil pessoas reunidas junto (...)
A propósito das suas palavras contra a guerra e o uso das armas e do encontro que teve, no Líbano, com líderes muçulmanos, incluindo um líder xiita próximo do Hezbollah, um jornalista libanês pediu detalhes do encontro. O Papa lembrou que “o nosso trabalho não é tanto público, mas é feito com discrição, nos bastidores".
"O objetivo é convencer as partes a largar as armas e trabalhar juntos pela paz. Precisamos sempre de diálogo”, afirmou, sem mais detalhes.
A situação da Venezuela também mereceu um comentário durante a viagem de regresso a Roma.
O Papa apelou à administração Trump para não tentar derrubar o regime de Nicolás Maduro através da força.
“A nível da Conferência Episcopal e com o núncio, estamos a tentar encontrar soluções para acalmar a situação e procurar, sobretudo, o bem do povo porque, muitas vezes, quem sofre com estas situações é o povo e não as autoridades”, sublinhou.
Papa no Líbano
Os apelos à paz e ao diálogo sincero foram uma con(...)
O Presidente norte-americano está a aumentar a pressão sobre o regime de Nicolás Maduro, com ataques a alegados traficantes de droga no mar e com o envio de um porta-aviões para a região. Nos últimos dias, numa conversa telefónica, Donald Trump pressionou o homólogo venezuelano a deixar a liderança do país.
Nestas declarações aos jornalistas, o Papa Leão XIV diz que, perante o "perigo" de uma invasão da Venezuela, é preciso encontrar "outras formas de diálogo".
“As vozes que vêm dos EUA mudam. E, por isso, temos que ver. Por um lado, parece que houve uma conversa telefónica entre os dois presidentes. Por outro lado, também há o perigo de invasão do território da Venezuela. Creio que é melhor procurar outras formas de diálogo, incluindo a pressão económica, mas buscando outras formas de mudança, se é isso que querem os EUA.”
Sobre os receios de muitos face à presença do Islão na Europa, o Papa alertou para discursos anti-imigração e xenófobos.
“Sei que na Europa, muitos têm medo, por vezes gerado por pessoas que são contra a imigração e querem mandar embora pessoas de outros países, religiões e raças. Nesse sentido diria que temos todos de trabalhar juntos", defendeu.
Leão XIV deu o exemplo do Líbano, um dos países que visitou nesta primeira deslocação ao estrangeiro.
"Um dos valores desta viagem, foi precisamente, chamar a atenção do mundo para a possibilidade de que o diálogo e amizade entre cristãos e muçulmanos é possível. Penso que uma das grandes lições que o Líbano pode ensinar ao mundo é mostrar uma terra onde o Islão e o Cristianismo estão ambos presentes, são respeitados e há uma possibilidade para viverem juntos e serem amigos", sublinhou o Santo Padre.
Questionado sobre as próximas viagens, Leão XIV disse que a sua prioridade é África, mas ainda não há data. O Papa acrescentou também que, pessoalmente, gostaria de visitar a Argélia, terra de Santo Agostinho, para “estabelecer pontes entre o mundo cristão e o muçulmano”. E, além disso, “a figura de Santo Agostinho pode ajudar porque era muito respeitado naquelas terras”.