Ordenação mulheres
Vaticano reafirma o não ao diaconado feminino
04 dez, 2025 - 14:51 • Henrique Cunha
Foi publicado esta quinta-feira o relatório elaborado pelo cardeal Giuseppe Petrocchi, em que se "exclui a possibilidade de prosseguir na direção da admissão das mulheres ao diaconado entendido como grau do sacramento da ordem".
A segunda comissão de estudo sobre o diaconado feminino reafirmou o “não” à possibilidade de alargar sacramento da Ordem às mulheres, num relatório divulgado esta quinta-feira pelo Vaticano, após quatro anos de trabalho. O documento enviado à Renascença não formula, contudo, "um julgamento definitivo, como no caso da ordenação sacerdotal”.
Esta segunda comissão que a pedido do Papa Francisco, examinou a questão, vai ao encontro do que já tinha sido decidido em 2016; e que na ocasião levou o Papa Francisco a descartar qualquer tipo de alteração.
Essa primeira comissão para o estudo do diaconado feminino, anunciada a 12 de maio de 2016, veio a revelar-se inconclusiva. E em 2020, o Papa Francisco decidiu instituir uma nova comissão de estudo sobre o diaconado feminino na Igreja Católica, na sequência do Sínodo especial para a Amazónia, que começou a trabalhar em 2021.
No texto, agora publicado por indicação de Leão XIV, pode ler-se que “o estado da questão em volta da pesquisa histórica e da investigação teológica, consideradas nas suas implicações mútuas, exclui a possibilidade de avançar na direção da admissão das mulheres ao diaconado entendido como grau do sacramento da Ordem”.
O relatório do cardeal Giuseppe Petrocchi, faz um resumo dos prós e contras, com os que defendem a ordenação a argumentar que a tradição católica e ortodoxa de reservar a ordenação diaconal (mas também a presbiteral e episcopal) apenas aos homens parece contradizer "a condição de igualdade entre homem e mulher como imagem de Deus ", "a igual dignidade de ambos os gêneros, baseada neste dado bíblico", a declaração de fé de que: "Já não há judeu nem grego, nem escravo e livre, homem e mulher, porque todos vós sois ‘um’ em Cristo Jesus" (Gálatas 3, 28), e o desenvolvimento social "que prevê igualdade de acesso, para ambos os gêneros, a todas as funções institucionais e operacionais".
Do outro lado, foi apresentada uma outra tese: "A masculinidade de Cristo, e portanto a masculinidade daqueles que recebem a ordem, não é acidental, mas parte integrante da identidade sacramental, preservando a ordem divina da salvação em Cristo".
"Alterar essa realidade não seria um simples ajuste do ministério, mas uma ruptura do significado nupcial da salvação", argumentam.
Num comentário de caracter pessoal, o cardeal Petrocchi sustenta que “as declarações contraditórias das ‘escolas’ teológicas e a falta de convergência sobre polaridades doutrinárias e pastorais fundamentais" motivam, na sua opinião, "a manutenção de uma linha de avaliação prudente sobre o tema do diaconado feminino”.
Por isso, segundo o cardeal, é indispensável, para prosseguir com o estudo, “uma análise crítica rigorosa e ampliada conduzida sobre o diaconato em si mesmo, ou seja, sobre sua identidade sacramental e sua missão eclesial, esclarecendo alguns aspectos estruturais e pastorais que atualmente não estão totalmente definidos”.
De fato, há continentes inteiros nos quais o ministério diaconal é “quase inexistente” e outros onde ele atua com atividades que muitas vezes “coincidem com os papéis próprios dos ministérios laicais ou dos ministrantes na liturgia”, sublinha o cardeal Petrocchi.
- Noticiário das 13h
- 19 mai, 2026







