06 dez, 2025 - 20:23 • Alexandre Abrantes Neves
O patriarca de Lisboa está confiante de que Governo e sindicatos ainda vão alcançar um acordo para evitar a greve geral, marcada para a próxima quinta-feira, 11 de dezembro.
Em declarações à Renascença e Agência Ecclesia este sábado, em Lisboa, D. Rui Valério disse querer “augurar” entendimentos entre os trabalhadores e o executivo da AD, para que exista “compreensão daquilo que cada uma das partes deseja”.
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“Estou, verdadeiramente, muito confiante. A democracia é uma proposta de vida, desenvolvimento, progresso, promoção da dignidade humana que assenta no diálogo, na compreensão. Somos uma democracia com 50 anos de provas dadas”, apelou, sobre a primeira greve geral conjunta entre CGTP e UGT desde os tempos da troika.
Questionado ainda sobre se esse entendimento permitirá apenas a desconvocação da paralisação ou também um acordo sobre o pacote laboral, o patriarca mostrou-se “muito, muito, muito crente” de que se alcance um consenso sobre a reforma do Código do Trabalho.
Tribunal Arbitral determinou os serviços mínimos p(...)
“É um entendimento final para entrarmos no Natal com esse espírito celebrativo e de paz entre todos”, pediu, numa altura em que as centrais sindicais esperam uma adesão especialmente forte nos setores da saúde, educação e transportes – nalguns casos, como o Metropolitano de Lisboa, não há previsão de serviços mínimos.
Quanto à guerra na Ucrânia, o patriarca de Lisboa mostrou-se desiludido perante o falhanço das negociações na última semana.
As reuniões entre os enviados da Rússia e dos Estados Unidos em Moscovo não permitiram avanços no plano de paz. Numa altura em que continua a pressionar a Ucrânia para a cedência dos territórios do Donbass e da Crimeia, o Kremlin torceu o nariz às propostas dos enviados de Washington e considerou algumas das ideias de Steve Witkoff e Jared Kushner “inaceitáveis”.
Perante o impasse, D. Rui Valério mostra-se preocupado e, sem dizer nomes, lamenta que nem todas as “pernas desse tripé”, entre Rússia, Ucrânia e Kiev, estejam interessadas num cessar-fogo e criem “obstáculos” para “coordenar vontades para o mesmo fim”.
“Eu questiono-me: ‘Todos nós queremos verdadeiramente a paz?’. O que é trágico se eu tiver de dizer que há alguém que é homem, que é ser humano como eu, e que quer a guerra. Para mim é mais um dos sintomas da derrota da própria Humanidade, para não falar da derrota do próprio ocidente”, criticou.
D. Rui Valério marcou presença este sábado numa eucaristia na Igreja de São Paulo, em Lisboa, que celebrou a chegada das relíquias de São Charbel a Portugal, um dos mais importantes monges eremitas associados ao rito maronita do Líbano e acarinhado pelos famosos milagres.
Durante a homília, o patriarca de Lisboa elogiou a comunidade católica do Líbano a viver em Portugal, apontando-a como um “exemplo” que alia paz e fé.
“Esta é a expressão da nossa admiração. Olhamos para o crivo e mágoa do povo do Líbano como quem passou dificuldades e subiu ao calvário do sofrimento com a força da fé. Obrigado pelo vosso testemunho”, assinalou, falando num momento de “enorme união e alegria” entre o libaneses e portugueses.
Leão XIV confiou a São Charbel as necessidades da (...)
Já perto do final da eucaristia, o padre Milad Tarabay, superior do Mosteiro de São Maron, em Annaya, no Líbano, entregou a D. Rui Valério uma peça em ouro, a relíquia dos Quatro Santos Libaneses, que simboliza as origens do catolicismo.
“O significado é, por um lado, sentir-me abençoado e protegido por esses santos, pelo exemplo de bravura, santidade. E, ao mesmo tempo, para que eu jamais esqueça onde estão as nossas raízes. Quando digo nossas, não só as minhas, mas raízes do povo de Lisboa, as raízes da nossa fé – que é no Médio Oriente, nessa terra que a Bíblia tanto celebra quando fala dos ciprestes do Líbano”, explicou, depois de questionado pela Renascença.
Este sábado marca também o lançamento oficial da Associação São Charbel Connosco que pretende “acolher e dar assistência religiosa" aos cristãos maronitas que vivem em Portugal, que passam a celebrar missa em Lisboa na Igreja de São Paulo uma vez por mês, aos sábados.