Há um século, Nossa Senhora confiou a Lúcia um apelo para o mundo. Saiba qual
10 dez, 2025 - 08:15 • Olímpia Mairos
Celebra-se esta quarta-feira, 10 de dezembro, o centenário da aparição de Nossa Senhora à Irmã Lúcia, em Pontevedra.
Há exatamente cem anos, a 10 de dezembro de 1925, Nossa Senhora apareceu à Irmã Lúcia de Jesus, em Pontevedra, na Galiza, pedindo-lhe um ato de reparação ao seu Imaculado Coração.
O acontecimento, conhecido como a primeira aparição do ciclo cordimariano de Fátima, é hoje recordado na cidade espanhola onde Lúcia iniciou o seu caminho religioso, na casa do Instituto de Santa Doroteia.
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Segundo as Memórias da Irmã Lúcia, a Virgem Maria mostrou-lhe o Coração cercado de espinhos e fez-lhe um pedido que se tornaria conhecido como a devoção reparadora dos primeiros sábados.
“Olha, minha filha, o Meu Coração cercado de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos Me cravam, com blasfémias e ingratidões. Tu, ao menos, vê de Me consolar e diz que a todos aqueles que durante cinco meses, ao primeiro sábado, se confessarem, recebendo a Sagrada Comunhão, rezarem um Terço e Me fizerem quinze minutos de companhia, meditando nos quinze mistérios do Rosário, com o fim de Me desagravar, Eu prometo assistir-lhes, na hora da morte, com todas as graças necessárias para a salvação dessas almas”, lê-se no relato da aparição, escrito pela vidente.
De Fátima a Pontevedra: continuidade de uma mensagem
Esta aparição ocorreu oito anos após as aparições de Fátima (1917), nas quais Nossa Senhora anunciara o desejo divino de estabelecer no mundo a devoção ao Seu Imaculado Coração: “Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores; para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção a Meu Imaculado Coração.”
Em Pontevedra, a mensagem ganha um novo desenvolvimento: o apelo à reparação e à oração pessoal, com a promessa de graças para quem responder ao convite.
Um “primeiro sábado permanente”
A aparição de 10 de dezembro de 1925 ocorreu no quarto onde Lúcia vivia como postulante das Doroteias. A cena, relatada pela própria vidente, descreve a presença de Nossa Senhora e do Menino Jesus, que a convidam a consolar o Coração da Mãe: “Tem pena do Coração de tua Santíssima Mãe que está coberto de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos Lhe cravam sem haver quem faça um ato de reparação para os tirar.”
Para o teólogo André Pereira, diretor do Departamento de Acolhimento e Pastoral do Santuário de Fátima, esta devoção tem um sentido profundamente espiritual.
“A finalidade última deste exercício é uma união integral da vida a Deus, em sintonização com o Coração de Maria. [...] É na fidelidade de cada dia, conformando o próprio coração ao de Cristo, que se molda a vida daquele que deseja que Deus seja o seu tudo. Assim se caminhará no sentido de fazer da vida um ‘primeiro sábado permanente’”, explica.
Celebrações em Pontevedra com a presença do Santuário de Fátima
As comemorações do centenário arrancaram na terça-feira com um programa organizado pela Arquidiocese de Santiago de Compostela, com a participação do Santuário de Fátima.
Na Basílica de Santa Maria Maior, teve lugar o ato de inauguração do Ano Jubilar presidido pelo arcebispo D. Francisco José Prieto Fernández a que se seguiu uma visita à casa do Instituto de Santa Doroteia, onde ocorreu a aparição, local onde esta quarta-feira será celebrada uma eucaristia solene.
O reitor do Santuário de Fátima, padre Carlos Cabecinhas, marca presença nas celebrações, reforçando os laços espirituais entre Fátima e Pontevedra — dois lugares unidos por uma mesma mensagem de fé, reparação e esperança.
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