14 dez, 2025 - 08:00 • Isabel Pacheco
Mais que um momento, o Jubileu dos Reclusos, que se assinala este fim de semana, representa um desafio para a própria Igreja. É a convicção do padre João Torres, responsável pela pastoral da penitenciária da Arquidiocese de Braga.
“É um ótimo desafio à nossa Igreja portuguesa. Quantas dioceses em Portugal, com estabelecimentos prisionais, celebram o Jubileu de Recluso?" questiona o sacerdote.
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“Não se trata de uma ação ou de uma coisa só para assinalar, porque por detrás do Jubileu está ou, pelo menos, deveria estar uma série de trabalho que deveria existir nos estabelecimentos prisionais em Portugal”, alerta João Torres.
Um exemplo é a lei da assistência espiritual e religiosa. “Precisa com alguma urgência que a nossa Conferência Episcopal Portuguesa olhe para ela com olhos de ver e que, de facto, tenha pernas para andar”, defende.
Religião
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O também, pároco de Priscos sublinha a importância do papel da Igreja em “dar e promover a dignidade” a quem está privado da liberdade. Porque, acrescenta João Torres, “a Igreja em Portugal pode ser a voz dos que não têm voz”.
“Às vezes digo, na brincadeira, que o 25 de Abril ainda não se chegou ao nosso sistema prisional. A lotação das nossas prisões, os programas de reinserção e de reabilitação que têm”, lamenta, lembrando que há “ cerca de 12.500 reclusos e cerca de 8.500 funcionários”. “Onde é que faltam funcionários? Onde é que estão funcionários a mais?”, questiona.
O responsável pela Pastoral Penitenciária nos estabelecimento prisionais de Braga e de Guimarães pede, por isso, mais e melhores politicas de reinserção social e dá o exemplo do trabalho feito na sua paróquia com os reclusos da sua Arquidiocese.
“Isto já acontece em Priscos, de janeiro a dezembro”, conta. “Há dois, três, quatro homens que saem todos os dia da cadeia e chegam a Priscos por volta das 8h30 e trabalham todo o dia regressando ao estabelecimento prisional às 17h00”. Em 10 anos, “já por cá passaram cerca de 75 reclusos”.
“A taxa de sucesso, se assim podemos dizer, ronda os 93%, ou seja, gente que nunca mais voltou à prisão”, revela João Torres. “Foi gente que voltou a sonhar e foi, também, aqui que encontraram asas para voarem”.
E são os reclusos que dão corpo ao presépio de Priscos – o maior presépio vivo da Europa – este ano dedicado à “deficiência e à superação” - que abre portas este sábado, dia do Jubileu do Recluso.