Advento-Natal
Bispo de Leiria-Fátima apela à paz, ao acolhimento e à dignidade humana
17 dez, 2025 - 07:21 • Olímpia Mairos
Um dos eixos centrais da mensagem é a situação dos migrantes e refugiados. D. José Ornelas lembra que muitos fogem “de situações de guerra e perseguição” ou procuram “segurança e condições de vida e futuro”, encontrando, porém, “portas fechadas, exploração gananciosa e perigos de todo o género, quando não mesmo a morte”.
Na Mensagem de Natal, o bispo de Leiria-Fátima, D. José Ornelas, convida os cristãos a prepararem esta celebração “com a alegria, as preocupações e os desafios” que marcam a vida em Portugal, no mundo e na Igreja, num contexto fortemente condicionado pela guerra, pela pobreza e pela mobilidade humana forçada.
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Referindo-se aos conflitos armados em várias regiões do globo, o prelado manifesta especial preocupação com “a guerra em Gaza, na Ucrânia, no Sudão, em Moçambique e em tantos outros países”, denunciando situações de “crueldade e abuso dos mais elementares padrões de direito internacional e de respeito pela dignidade humana”. D. José Ornelas sublinha que estas guerras impõem “sofrimento e privações de todo o tipo a populações inteiras inocentes, incluindo milhões de crianças mortas ou em situação de carência vital”.
Partindo do anúncio dos anjos na noite de Belém, o bispo recorda que a “paz na Terra” continua a ser um desafio atual e exigente. “Constitui um motivo de constante desafio e esforço, que a todos nos deve mobilizar”, afirma, acrescentando que as tentativas de paz em curso só poderão gerar esperança se não forem baseadas “numa atitude de resignação ou capitulação perante a lei dos prepotentes e o atropelo do direito dos povos”, mas antes em “princípios de dignidade e justiça, para que suscitem verdadeira esperança de futuro e paz duradoura”.
No olhar sobre a realidade portuguesa, D. José Ornelas enumera várias situações que exigem “coragem, competência e autêntico espírito de Natal”. Entre elas, destaca “a pobreza de muitos milhares de famílias que não conseguem fazer face às necessidades básicas com o ordenado que recebem do seu trabalho”, “a solidão de tantos idosos”, “as grávidas sem perspetivas de um lugar seguro para dar à luz”, “os doentes em longas filas de espera nos serviços de saúde” e “os custos exorbitantes da habitação face à maior parte dos ordenados”, sem esquecer a necessidade de justiça nas relações de trabalho e da construção de “uma sociedade equilibrada e em paz”.
Um dos eixos centrais da mensagem é a situação dos migrantes e refugiados. O bispo de Leiria-Fátima lembra que muitos fogem “de situações de guerra e perseguição” ou procuram “segurança e condições de vida e futuro”, encontrando, porém, “portas fechadas, exploração gananciosa e perigos de todo o género, quando não mesmo a morte”.
À luz do Natal, D. José Ornelas evoca a experiência da Sagrada Família, sublinhando que Jesus nasce “como membro de uma família de forasteiros, que não encontra condições mínimas de abrigo”, é ignorado pelos poderosos e acaba por se tornar “exilado no Egito”. Em contraste, destaca a solidariedade condoída de pessoas simples que partilharam “um curral com animais e palha seca, uma manjedoura a servir de berço e a partilha dos parcos meios de subsistência”, bem como a presença de “sábios e investigadores de longe”, sinal de um Reino aberto a todos os povos e culturas.
“É esse Menino que celebramos neste Natal”, afirma o bispo, acrescentando que “não tem verdade nem coerência celebrar a memória deste Menino, ou proclamar-se seu seguidor, se não se escuta o choro dos meninos e meninas de hoje e a aflição das suas famílias em desespero”, que procuram refúgio, paz e um futuro digno com as terras e os povos que os acolhem.
Reconhecendo a complexidade dos problemas atuais, D. José Ornelas rejeita soluções simplistas, mas é claro quanto ao ponto de partida: “Não pode ser a rejeição e muito menos a humilhação, a exploração e a segregação”, mas sim “a análise serena das possibilidades e dos meios” e um acolhimento responsável, com os recursos disponíveis, do qual “depende o futuro de quem chega, mas também o futuro de quem acolhe”.
A mensagem termina com um apelo para que o espírito de Belém inspire “um Natal de alegria e fraterna partilha”, vivido nas famílias, comunidades e paróquias, com especial atenção “a quantos se encontram isolados ou em dificuldade”, sobretudo aqueles que ainda não encontraram laços de solidariedade no seu caminho.
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