Leão XIV condena investimentos financeiros "enlouquecidos ao preço sangrento de milhões de vidas”
17 dez, 2025 - 11:14 • Aura Miguel
“Com o aproximar-se do Natal, tenhamos o cuidado para não nos deixarmos levar pela correria frenética dos preparativos", pede o Papa.
"Não somos máquinas, somos um coração inquieto”, disse esta manhã Leão XIV na Praça de São Pedro. O Papa dedicou a catequese desta quarta-feira à importância decisiva do coração, “símbolo de toda a nossa humanidade, uma síntese de pensamentos, sentimentos e desejos, o centro invisível do nosso ser”.
Ao refletir sobre a nossa vida, em constante movimento, cuja actividade, por vezes, não nos realiza, antes nos dispersa, cansa e impede de valorizar o que é mais importante, Leão XIV afirmou: “Por vezes, no final de dias repletos de atividades, sentimo-nos vazios. Porquê? Porque não somos máquinas, temos um ‘coração’; ou melhor: ‘somos' um coração”. E acrescentou que “este risco de dispersão, por vezes de desespero, de falta de sentido, surge cada vez mais, mesmo em pessoas aparentemente bem-sucedidas”.
Neste contexto, Leão XIV lamentou: “É no coração que se guarda o verdadeiro tesouro, não nos cofres da terra, não nos grandes investimentos financeiros, nunca como hoje tão enlouquecidos e injustamente concentrados, idolatrados ao preço sangrento de milhões de vidas humanas e à devastação da criação de Deus”.
Por isso, “a verdadeira plenitude do coração não consiste em possuir os bens deste mundo, mas em alcançar aquilo que o pode preencher completamente: o amor de Deus, ou melhor, Deus Amor. Este tesouro, porém, só se encontra amando o próximo que encontramos pelo caminho: irmãos e irmãs de carne e osso”, disse.
Que o presépio continue a fazer parte do Natal
“Dentro de poucos dias será o Natal e imagino que, nas vossas casas, esteja a ultimar-se ou já está montado o presépio, uma sugestiva representação do Mistério do Nascimento de Cristo”, disse o Papa no final da Audiência geral.
Sem mais comentários, relacionados com a crescente secularização desta época festiva, Leão XIV acrescentou ainda, a propósito do presépio: “Espero que um elemento tão importante, não só da nossa fé, mas também da cultura e da arte cristã, continue a fazer parte do Natal, para recordar Jesus que, fazendo-se homem, veio «habitar entre nós»”.
Também nas saudações aos peregrinos de língua francesa, o Santo Padre deixou um aviso: “Com o aproximar-se do Natal, tenhamos o cuidado para não nos deixarmos levar pela correria frenética dos preparativos, que nos levará a viver de modo superficial e deixará espaço à desilusão. Em vez disso, dediquemos tempo para manter o nosso coração atento e vigilante na espera de Jesus, para que a sua presença amorosa seja para sempre o tesouro da nossa vida e do nosso coração”.
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