20 dez, 2025 - 17:20 • Olímpia Mairos
O arcebispo de Évora, D. Francisco Senra Coelho, na sua mensagem de Natal, convida os fiéis a viverem este tempo com espírito de contemplação, solidariedade concreta e compromisso cristão, no contexto do Ano Santo vivido como caminho de esperança.
Logo no início da mensagem, o prelado sublinha o sentido profundo do Natal como mistério do amor de Deus que se faz próximo da humanidade: “Em Tempo de Natal, preparemo-nos com a ajuda de Maria e de José para o nascimento de Cristo, o Filho de Deus, que assumiu a nossa humanidade até às suas últimas consequências, excepto no pecado”.
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D. Francisco Senra Coelho alerta para o risco de o Natal ser reduzido a um uso superficial, recordando que se trata de uma “Beleza que fala por si”, mas que pode ser “banalizada e instrumentalizada” se não for interiorizada e contemplada.
Na sua reflexão, o arcebispo destaca o significado do nascimento de Jesus como expressão máxima do amor divino: “O Natal proclama que o Amor que Deus nos tem é tão grande, que quis viver connosco a nossa condição humana, fazendo-se um Menino: débil, indefeso, necessitado dos cuidados de Maria e José”.
Ao evocar a vida simples de Jesus, desde a fuga para o Egipto até aos anos vividos em Nazaré, o prelado recorda que Cristo partilhou plenamente a condição humana, “convivendo com os seus familiares, amigos e conterrâneos”, aprendendo e trabalhando “nas lides de São José”.
A contemplação da Sagrada Família no presépio de Belém conduz, segundo o arcebispo, a um olhar atento sobre as feridas do mundo atual.
“Como não recordar todas as famílias, vítimas da pobreza e das guerras, espalhadas como que aos pedaços pelo mundo?”, questiona, lembrando de forma particular as vítimas dos conflitos na Ucrânia e em Gaza, “sobretudo as crianças, os anciãos e os frágeis”.
Neste contexto, o arcebispo cita o Papa Leão XIV, na exortação apostólica Dilexi Te, ao afirmar que “nenhuma expressão de carinho, nem mesmo a menor delas, será esquecida, especialmente se dirigida a quem se encontra na dor, sozinho, necessitado”.
À luz destas palavras, D. Francisco Senra Coelho apela a que o Natal de 2025 seja vivido com gestos concretos de afeto e solidariedade, especialmente em relação aos mais vulneráveis: idosos abandonados, crianças, pessoas com deficiência e todos os que vivem na solidão. “Se estes gestos forem vividos em família e na presença das novas gerações, como não valorizarão a beleza do vosso Natal?”, afirma.
A mensagem sublinha ainda a universalidade da salvação, simbolizada pelos pastores e pelos magos no presépio: diferentes nas suas origens e condições, mas unidos na adoração do Messias. Para o arcebispo, este sinal recorda que a salvação “não se limita a alguns privilegiados, mas destina-se a todos”.
Referindo-se aos desafios atuais da mobilidade humana e da migração, particularmente no Alentejo Central e Ribatejo do Sul, D. Francisco Senra Coelho desafia cada cristão a ser sinal de acolhimento, recordando que “em cada dia desta época nova, não sejamos Belém encerrada para Maria e José, mas presépio e colo amplamente aberto para pastores e magos”.
Por fim, reconhecendo que o Natal também é marcado pela dor — desde os Santos Inocentes à fuga da Sagrada Família para o Egipto —, o arcebispo convida os cristãos de Évora a prosseguirem o Ano Santo como “peregrinos de Esperança”, colocando-se ao serviço das comunidades e da sociedade. Um caminho vivido na fé e no compromisso quotidiano “ao serviço da Igreja e do mundo”.