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Estratégia sem-abrigo

Acesso de sem-abrigo a cama de emergência "pode demorar seis meses"

24 dez, 2025 - 08:00 • Henrique Cunha

Responsável pela "Porta Solidária", que serve diariamente mais de 400 refeições à população necessitada da cidade do Porto, pede mais investimento do Governo no combate à fome e na concretização da Estratégia Nacional para a Integração de Pessoas em Situação de Sem-Abrigo. O coordenador do Secretariado Diocesano da Pastoral Social diz que faltam camas e gestores de caso, sobretudo na região Norte. Esta quarta-feira, o bispo do Porto ajuda a servir a Ceia de Natal.

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O padre Rubens Marques, da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, no Porto, que fornece diariamente cerca de 400 refeições à população carenciada da cidade, deixa críticas à forma como está a ser desenvolvida a Estratégia Nacional para a Integração de Pessoas em Situação de Sem-Abrigo.

Em declarações à Renascença, o responsável pela “Porta Solidária” diz que é necessário investir mais, quer na execução da estratégia, quer no combate à pobreza e à fome.

O padre Rubens Marques, que também coordena o Secretariado Diocesano da Pastoral Social garante que “pode demorar seis meses encontrar uma cama de emergência para uma pessoa em situação de sem-abrigo que seja sinalizada".

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O sacerdote diz que a “a Estratégia está bem pensada, bem estruturada”, mas “falta dotá-la do orçamento necessário”, porque “temos as camas de emergência todas entupidas”.

Para além disso, afirma ser necessário “investir em camas de longa duração, em oficinas que possam capacitar alguns para a empregabilidade, na criação de comunidades terapêuticas para os que têm comportamentos aditivos, e é preciso camas nos hospitais dedicados à questão da psiquiatria”. “Sem tudo isso, todo o sistema chega à primeira fase e para aí”, afirma. “O sistema está muito longe de pôr em prática o que está pensado como estratégia”, acrescenta.

Por outro lado, o padre Rubens Marques revela que, na Região Norte, “34% das pessoas em situação de sem-abrigo não têm gestor de caso", o que significa que “ainda não entraram sequer no sistema para terem uma cama de emergência, para terem um técnico que os acompanhe e faça evoluir o seu processo”.

O sacerdote faz também questão de corrigir os números da população em situação sem-abrigo no Porto. De acordo com o mais recente inquérito de caracterização, divulgado pela Estratégia Nacional para a Integração de Pessoas em Situação de Sem Abrigo (ENIPSSA), no final de 2024 havia mais de 14.400 pessoas em situação de sem-abrigo, mais 1.348 do que no ano anterior. O inquérito refere que no Porto há 553 pessoas em situação de sem-abrigo, porém o padre Rubens garante que “na cidade do Porto não são contados os imigrantes ilegais sem-abrigo”.

Se eles fossem contabilizados o número seria bem superior, porque nós temos o contacto com as pessoas que vêm comer aqui e que vão comer às carrinhas das associações voluntárias e temos presente que são muitos”, sublinha.

Bispo ajuda a servir Ceia de Natal da Porta Solidária

É este o retrato de uma realidade que é feito na Renascença por parte de quem diariamente convive com muitas situações de emergência e dificuldade.

O padre Rubens Marques diz que todos os dias a "Porta Solidária" entrega cerca de 400 refeições. O sacerdote entende que "é necessário muito mais investimento do Estado português na luta contra a fome", e reafirma o serviço da paróquia é muito procurado "por famílias, em particular por pessoas reformadas, cuja reforma só dá para pagar o quarto". "Elas têm de procurar alimentação porque não têm orçamento para satisfazer essa necessidade", refere.

Para a noite desta quarta-feira, a "Porta Solidária" tem preparada uma Ceia de Natal para a população em dificuldade, numa iniciativa que contará com a presença de D. Manuel Linda, bispo do Porto.

O padre Rubens diz que a presença do bispo “é um gesto de muita simpatia e, sobretudo, de proximidade em ternura e em serviço junto de uma população muito carenciada”. “E é também uma presença de afeto junto de uma população sem grandes relações afetuosas”, acrescenta.

O padre Rubens diz que será uma Ceia de Natal tradicional, onde "não faltará o bacalhau, o bolo rei e o vinho do Porto", com o objetivo de se "criar um ambiente natalício para que as pessoas de algum modo possam sentir este tempo de festa através daquilo que lhes possamos proporcionar".

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