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Papa na bênção Urbi et Orbi: ”Se cada um reconhecesse as suas falhas, o mundo mudaria”

25 dez, 2025 - 11:42 • Aura Miguel

A partir da varanda da Basílica de São Pedro, Leão XIV pediu "justiça, paz e estabilidade" para o Líbano, a Palestina, Israel e Síria. No final, deixou uma saudação em várias línguas, incluindo em português.

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Assumir a responsabilidade é o caminho da paz, disse Leão XIV na Mensagem “Urbi et Orbi”, proferida na varanda da Basílica de São Pedro. “Se cada um de nós, a todos os níveis, em vez de acusar os outros, reconhecesse em primeiro lugar as próprias falhas, pedisse perdão a Deus e, ao mesmo tempo, se colocasse no lugar dos que sofrem, mostrando-se solidário com os mais fracos e oprimidos, então o mundo mudaria”, afirmou.

Na sua primeira Mensagem natalícia dirigida à cidade e ao mundo, o Papa enviou saudações aos que vivem no Médio Oriente, invocando, sobretudo justiça, paz e estabilidade para o Líbano, a Palestina, Israel e Síria.

A coragem do diálogo sincero na Europa

Leão XIV invocou o Príncipe da Paz para que o inteiro Continente Europeu “continue a inspirar um espírito comunitário e colaborativo, fiel às suas raízes cristãs e à sua história, solidária e acolhedora com quem passa necessidade” e também pediu para se rezar, de modo especial, “pelo povo ucraniano tão massacrado: que o barulho das armas acabe e que as partes envolvidas, apoiadas pelo empenho da comunidade internacional, encontrem a coragem de dialogar de modo sincero, direto e respeitoso”, disse.

Solidário com Gaza e com os que sofrem necessidade

O Santo Padre recordou que, Jesus, ao fazer-se homem, assume a nossa fragilidade e se identifica com cada um de nós, ou seja, “com aqueles que não têm mais nada e perderam tudo, como os habitantes de Gaza; com quem está a braços com a fome e a pobreza, como o povo do Iémen; com aqueles que fogem da própria terra em busca de um futuro noutro lugar, como os muitos refugiados e migrantes que atravessam o Mediterrâneo ou atravessam o Continente americano”.

Neste rol Leão XIV incluiu ainda os que perderam o trabalho e os que o procuram, “como tantos jovens que têm dificuldade em encontrar emprego; aqueles que são explorados, como muitos trabalhadores mal remunerados; e aqueles que estão na prisão e, muitas vezes, vivem em condições desumanas”.

Paz e consolação para as vítimas mais esquecidas

“Do Menino de Belém, imploramos paz e consolação para as vítimas de todas as guerras em curso no mundo, especialmente as esquecidas; e para quantos sofrem por causa da injustiça, da instabilidade política, da perseguição religiosa e do terrorismo”, disse o Papa, recordando de modo particular as populações do Sudão, do Sudão do Sul, do Mali, do Burkina Faso e da República Democrática do Congo.

A situação no Haiti e na América Latina também preocupa o Papa, ao pedir que “o Menino Jesus inspire todos os que têm responsabilidades políticas na América Latina, para que, ao enfrentarem os inúmeros desafios, deem espaço ao diálogo pelo bem comum e não a preconceitos ideológicos e de parte”.

Os conflitos em Myanmar, na Tailândia e no Camboja e as calamidades nos países do Sudeste asiático e da Oceânia, também mereceram especial apelo à solidariedade.

Em clima de festa, e apesar da chuva, uma entusiasta multidão, (estimada pelo Vaticano em 26 mil pessoas), aplaudiu o Papa que, no final, concedeu a habitual bênção com indulgência plenária e fez uma saudação em várias línguas, incluindo o português.

Entre as línguas, e além do português, estiveram o italiano, francês, inglês, espanhol, alemão, polaco, árabe, chinês e latim.

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