Vaticano
Papa na missa de Natal: “Como não pensar nas tendas de Gaza?”
25 dez, 2025 - 09:43 • Aura Miguel
Leão XIV recordou que “é um verdadeiro poder o de nos tornarmos filhos de Deus” e apelou ao diálogo: “Haverá paz quando os nossos monólogos se interromperem".
“A paz existe e já está no meio de nós”, disse esta manhã o Papa, na homilia da missa de Natal. Com o nascimento de Jesus, o dom de Deus envolve-nos, procura acolhimento e mobiliza a dedicação.
Leão XIV, ao sublinhar que “o Verbo fez-se carne e ergueu no meio de nós a sua frágil tenda”, interrogou-se: “E como não pensar nas tendas de Gaza, expostas durante semanas à chuva, ao vento e ao frio, e nas tendas de tantos outros deslocados e refugiados em todos os continentes; ou nos refúgios improvisados de milhares de pessoas sem-abrigo dentro das nossas cidades?”
E acrescentou: “Fragilizada, encontra-se a carne das populações indefesas, provadas por tantas guerras em curso ou concluídas, deixando escombros e feridas abertas. Fragilizadas estão as mentes e as vidas dos jovens obrigados a pegar em armas, que precisamente na frente de batalha percebem a insensatez do que lhes é exigido e a mentira de que estão embebidos os discursos inflamados daqueles que os enviam para a morte”.
O Santo Padre recordou que “é um verdadeiro poder o de nos tornarmos filhos de Deus”, mas é um poder “que permanece enterrado enquanto estivermos distantes do choro das crianças e da fragilidade dos idosos, do silêncio impotente das vítimas e da melancolia resignada de quem faz o mal que não quer.”
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Pelo contrário, “quando a fraqueza dos outros penetra o nosso coração, quando a dor alheia despedaça as nossas certezas graníticas, então já começa a paz. A paz de Deus nasce de um choro de criança acolhido, de um pranto ouvido: nasce entre ruínas que invocam solidariedades renovadas, nasce de sonhos e visões que, como profecias, invertem o curso da história”, frisou.
Por fim, Leão XIV deixou um renovado apelo ao diálogo: “O movimento da Encarnação é um dinamismo de conversação. Haverá paz quando os nossos monólogos se interromperem e, fecundados pela escuta, cairmos de joelhos diante da carne despojada do outro”. E, na realização deste percurso, o Santo Padre apontou para o exemplo sa Virgem Maria, Mãe da Igreja, a Estrela da evangelização, a Rainha da paz. “Nela compreendemos que nada nasce da exibição da força e tudo renasce a partir do poder silencioso da vida acolhida”, concluiu.
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