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Catequista perdoa e abraça agressor em pleno tribunal após tentativa de homicídio na Nigéria

31 dez, 2025 - 20:42 • Olímpia Mairos

Tobias Yahaya sobrevive a tentativa de homicídio e surpreende juiz ao perdoar agressor. Testemunho de fé e coragem relatado à Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

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Tobias Yahaya, catequista nigeriano, abraçou, em pleno tribunal, o homem que tentou assassiná-lo durante o julgamento do caso, ocorrido após um ataque à sua residência em Sokoto, no noroeste da Nigéria. A história, divulgada pela AIS Internacional, revela a “coragem e mostra a importância dos catequistas” na vida das comunidades cristãs naquele país e em todo o continente africano.

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Na madrugada de 19 de abril de 2023, por volta das três da manhã, três homens armados invadiram a casa de Yahaya, situada perto da Catedral da Sagrada Família, em Sokoto, no noroeste da Nigéria. Ao aperceber-se do ataque, o catequista tentou proteger a esposa e os quatro filhos.

“Naquele instante pensas em muitas coisas… se me encontrassem com a minha família, só Deus sabe o que poderia ter acontecido”, contou Yahaya à AIS. Para afastar o perigo dos seus, decidiu sair de casa.

Foi então que o líder do grupo, identificado como Ibrahim, o atacou com uma faca, atingindo-o no peito. “Caí no chão a sangrar”, recorda. Mesmo assim, o agressor continuou a tentar golpeá-lo, até que Yahaya conseguiu segurar a lâmina com as mãos, sofrendo ferimentos graves. O clamor da esposa atraiu vizinhos, que conseguiram capturar Ibrahim, enquanto os outros dois atacantes fugiram.

Devido à grande perda de sangue, Tobias Yahaya perdeu os sentidos e só acordou 24 horas depois, já no hospital. Ao despertar, viveu uma cena inesperada: Ibrahim estava internado na cama ao lado.

“Perguntei-lhe: ‘Por que me quiseste matar?’”, relatou à AIS. Sem conseguir responder, o agressor desatou a chorar.

Mais tarde, Yahaya soube que o ataque estaria ligado ao medo da influência do catequista junto dos jovens, numa região onde cerca de 90% da população é muçulmana. O episódio não foi isolado. Na Nigéria, o papel dos catequistas vai muito além do ensino da fé: eles conduzem celebrações, distribuem a comunhão e sustentam comunidades inteiras na ausência de sacerdotes. “Só na última Páscoa tivemos a primeira comunhão de 100 crianças na nossa paróquia”, contou à AIS.

Perdão que comoveu o tribunal

O momento mais marcante ocorreu durante o julgamento de Ibrahim. Quando o juiz anunciou a pena de um ano de prisão, Tobias Yahaya fez um pedido inesperado: “Perguntei ao juiz muçulmano: ‘Posso abraçar Ibrahim?’”.

O tribunal ficou em silêncio. O pedido foi autorizado. Yahaya levantou-se, abraçou o agressor, apertou-lhe a mão e disse apenas: “Perdoo-te”.

“Ibrahim não disse nada, mas vi lágrimas a correr pelo seu rosto”, relatou à AIS.

Apesar das dúvidas e do medo, Yahaya regressou a casa decidido a continuar a servir a sua comunidade. Sustentado pela esposa, pela mãe, pelo bispo e pelos sacerdotes, encontrou força também nas palavras simples da mãe, que nunca frequentou a escola: “Onde Deus quer que estejamos pode não ser confortável, mas é aí que encontramos a verdadeira felicidade”.

Inspirado por São Paulo e pela Segunda Carta aos Coríntios, o catequista reafirma hoje a sua missão com ainda mais convicção. A sua história, partilhada pela Ajuda à Igreja que Sofre, é um retrato vivo da fé que resiste à violência — e do perdão que desarma até os corações mais endurecidos.

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