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Diocese de Viseu entrega mais de 200 oliveiras a crianças para plantarem "Jardins da Paz"

09 jan, 2026 - 06:00 • Liliana Carona

Num tempo marcado pela guerra, pelo radicalismo e por uma linguagem cada vez mais agressiva, a Diocese de Viseu quer colocar as crianças no centro da construção da paz. No próximo domingo, 11 de janeiro, mais de duas centenas de oliveiras vão ser entregues a paróquias e escolas, num gesto simbólico que cruza oração e educação para a paz.

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Diocese de Viseu entrega mais de 200 oliveiras a crianças para plantarem ‘Jardins da Paz’

A Diocese de Viseu vai oferecer mais de 200 oliveiras a crianças, adolescentes e jovens, através das paróquias e dos agrupamentos escolares, numa cerimónia marcada para as 15h00 de domingo, na Sé Catedral.

A iniciativa pretende lançar, em todo o território diocesano, a criação de espaços a que foi dado o nome de “Jardins da Paz”.

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A celebração assume-se como um momento de oração e partilha comunitária, mas também como um gesto pedagógico pensado para responder a um contexto internacional e social marcado pela violência, pelo ódio e pelos extremismos.

“O que pretendemos é algo muito simples e simbólico, mas profundamente necessário nos tempos que vivemos”, explica à Renascença, Abel Dias, diretor do Secretariado Diocesano da Educação Cristã. “Trata-se de relembrar a todos que a paz é um dom de Deus, mas é também uma tarefa humana, uma responsabilidade de cada um de nós”, acrescenta.

A paz é um dom de Deus, mas é também uma tarefa humana

Segundo o responsável, a iniciativa procura envolver os mais novos num compromisso concreto e quotidiano. “Nada melhor do que, em cada paróquia e em cada escola, construirmos um ‘Jardim da Paz’. Ao cuidarmos de algumas plantas, lembramo-nos de que devemos cuidar não só da paz, mas também de sermos construtores dessa própria paz”, sublinha.

Contra a normalização do ódio e do radicalismo

No total, deverão ser distribuídas entre 240 e 250 oliveiras, correspondentes às 204 paróquias e cerca de 20 agrupamentos escolares da Diocese de Viseu.

As árvores serão depois entregues às comunidades locais, onde cada uma decidirá o espaço mais adequado para a criação do seu “Jardim da Paz”.

“Pode ser um espaço simples, escolhido de acordo com a realidade de cada paróquia ou escola”, revela Abel Dias. “Depois poderá ser completado com outras plantas e flores, mas sobretudo será um lugar onde as crianças podem ir regar, cuidar, estar em silêncio e rezar pela paz”.

Há uma guerra verbal, feita de confronto, de uns contra os outros, que também nos deve interpelar

A iniciativa surge no contexto do encerramento do Ano Santo Jubilar e assume uma forte dimensão educativa e pastoral. “Vivemos tempos em que a paz é cada vez mais um desejo e, muitas vezes, uma miragem”, alerta o diretor do Secretariado Diocesano da Educação Cristã. “Vemos a guerra a invadir tantos países e, mesmo onde não há uma guerra física, há uma guerra verbal, feita de confronto, de uns contra os outros, que também nos deve interpelar.”

Inspirado nos apelos do Papa Francisco, Abel Dias defende a necessidade de educar para “uma paz desarmada e desarmante”.

O responsável alerta ainda para a normalização do ódio e do radicalismo na sociedade. “A linguagem à nossa volta é muitas vezes bélica, agressiva. Até no nosso país sentimos isso. Não é uma guerra física, mas é uma guerra verbal que nos leva a perguntar: que mundo é este que estamos a construir? Que país queremos deixar?”, questiona.

Para a Diocese de Viseu, tudo o que contribua para formar crianças mais pacíficas é um investimento no presente e no futuro. “Como cristãos, temos uma grande responsabilidade. Ajudar as crianças a rezar pela paz e a serem pessoas de paz é essencial”, reforça.

A escolha da oliveira enquanto símbolo não é inocente. “A oliveira é o símbolo bíblico da paz”, recorda Abel Dias. “Liga o desejo de paz ao cuidado da natureza. Este gesto simbólico quer ajudar as crianças a cuidarem da criação que Deus nos confiou e a fazerem do mundo um lugar mais pacífico, um verdadeiro paraíso, sobretudo nos tempos difíceis que atravessamos”, conclui.

Para domingo, está prevista uma celebração na Sé de Viseu, que vai contar com a presença do coro infanto-juvenil diocesano. E como compromisso com a paz será ainda lançada uma campanha de solidariedade para com crianças órfãs de guerra.

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