Carta Ecuménica
Patriarca defende que a Europa “só reencontrará a sua alma se colocar no centro a pessoa humana”
20 jan, 2026 - 21:47 • Ana Catarina André
Na apresentação da nova versão da Carta Ecuménica, D. Rui Valério lembrou a importância de reconhecer as origens cristãs da Europa. Já D. Jorge Pina Cabral, bispo da Igreja Lusitana, afirmou que “ninguém se pode assumir como seguidor de Jesus Cristo com discursos de ódio, divisão e xenofobia”.
O patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, considera que a nova versão Carta Ecuménica, apresentada esta segunda-feira, na Universidade Católica, em Lisboa, é “um contributo indispensável para uma Europa que só reencontrará a sua alma se colocar no centro a pessoa humana e a sua vocação à comunhão”.
Para que tal aconteça, diz o bispo, é preciso "reconhecer de forma irrenunciável as origens cristãs da própria Europa, pois é na fé e na ética judaico-cristã que se burilaram os valores que hoje se querem defender”.
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Na sessão promovida pela Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) e pelo Conselho Português de Igreja Cristãs (COPIC), o patriarca disse que o documento que junta católicos e cristãos de outras igrejas é “um dos fundamentos mais sólidos para a construção de uma paz duradoura”.
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D. Rui Valério lembrou, no seu discurso, que “os caminhos de entendimento entre as Igrejas e entre as religiões” são hoje basilares "para a construção de uma paz duradoura e de compromissos sociais verdadeiramente humanos”.
Em declarações aos jornalistas à margem do encontro, disse que a Carta Ecuménica 2025 – assinada em Roma, em novembro pela Conferência das Igrejas Europeias (CEC) e pelo Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE) – fomenta, entre vários temas, “uma maior consciencialização do drama, do crime, que os incêndios constituem”. “É uma chaga que infelizmente só é notícia no Verão. [É preciso] fazer mais pela nossa floresta, pela nossa natureza”, afirmou, acrescentando que este é um dos exemplos, no âmbito ecológico, em que o documento tem uma aplicação concreta.
“Ninguém se pode assumir como seguidor de Jesus Cristo com discursos de ódio”
O evento, que teve lugar na Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, contou com a presença de D. Jorge Pina Cabral, bispo da Igreja Lusitana, de Comunhão Anglicana. Questionado pelos jornalistas sobre os líderes políticos que invocam Deus para legitimar as suas ações, o também presidente da COPIC defendeu que “ninguém se pode assumir como seguidor de Jesus Cristo com discursos de ódio, com discursos de divisão, com discursos de xenofobia”.
“Isso é profundamente contrário à pessoa, à vida de Jesus Cristo e ao seu ministério, tal como contra os valores do próprio Evangelho. Portanto, a prática é aquilo que permite discernir a efetiva convicção de fé da pessoa, que, muitas vezes, vem a público justificar a sua ação através de determinadas pertenças religiosas. As igrejas não se podem deixar instrumentalizar e têm que ser claras também nesse discurso”, garantiu.
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Na apresentação, o bispo da Igreja Lusitana disse, ainda, que no atual contexto português “assume particular importância a defesa da dignidade humana e a proteção dos migrantes", destacando, também, "a promoção da liberdade de expressão e o evitar da polarização, a valorização do papel dos jovens e a sua integração na sociedade, a proteção da mulher e a defesa das vítimas de violência doméstica, o cuidado pela criação de Deus, a reflorestação das áreas ardidas e a promoção do diálogo antirreligioso”.
Além do patriarca de Lisboa e do bispo da Igreja Lusitana, a sessão contou, ainda, com a presença de Sandra Reis, presidente da Igreja Evangélica presbiteriana de Portugal, de Sifredo Teixeira, bispo da Igreja Evangélica Metodista, e do padre Peter Stilwell, responsável pelo Departamento das Relações Ecuménicas e do Dialogo Inter-religioso, do Patriarcado de Lisboa. No final, Carmo Diniz, diretora executiva da Caritas de Lisboa, e a diácona Nívia Ivette Nuñez de La Paz, da Missão Lusitana Maria de Magdala, na Praia de Mira, apresentaram o trabalho que as respetivas instituições desenvolvem no apoio aos mais frágeis.
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