Religião
Fórum Missões quer valorizar trabalho com migrantes. “Trouxeram diversidade às comunidades”
26 jan, 2026 - 16:36 • Ângela Roque
‘Fazei o bem’ é o lema da iniciativa do Serviço de Animação do Patriarcado de Lisboa, marcada para 1 de fevereiro. À Renascença, o padre Albino Anjos lembra que há paróquias na diocese que já são “maioritariamente compostas” por crentes de outros países, e que mais do que “obrigação” é “missão” da Igreja “ir ao encontro, acolher e cuidar”.
O Serviço de Animação Missionária do Patriarcado de Lisboa promove a 1 de fevereiro mais um Fórum das Missões. Com o lema ‘Fazei o bem’, é este ano dedicado às migrações, uma escolha justificada pela “conjuntura internacional e nacional”, que pede “uma especial atenção ao tema da mobilidade” humana e social e uma “ética de acolhimento”.
Em declarações à Renascença o padre Albino Anjos, responsável por este serviço diocesano, admite que no momento difícil que o mundo atravessa, a Igreja tem de recentrar esforços na sua ação social e pastoral, daí a escolha do lema.
“É uma expressão retirada do testamento de São João de Deus, que na sua atitude muito cristã e evangélica de ir ao encontro, cuidar e acolher o outro, nos ajuda a inspirar para estes tempos que estamos a viver, em que parece que fazemos aceção, discriminação das pessoas, e olhamos com desconfiança e com medo”, refere.
“A reflexão que vamos promover visa fundamentalmente valorizar todo o trabalho, riqueza e diversidade que comunidades que participam na nossa Igreja diocesana trouxeram para o nosso enriquecimento litúrgico e pastoral. Muitas das nossas comunidades são hoje maioritariamente compostas por pessoas que provêm da Ucrânia, da Guiné, São Tomé, Brasil, etc. E nós, pela experiência da Igreja, pelo histórico e pelo magistério da Igreja, temos esta obrigação, que para nós é uma missão e uma vocação: acolher, integrar, valorizar e fazer com que esta riqueza venha ao de cima, para o bem de todos nós”.
Albino Anjos admite que a imigração tem trazido mais desafios a quem é missionário, cuja experiência faz toda a diferença na ajuda concreta que, cada vez mais, é preciso assegurar na própria diocese.
“A história da missionação cruza-se muito com estes movimentos e fluxos migratórios. Para além de termos várias congregações que trabalham a migração - e a exortação do Papa Leão, Dilexit Te, fala-nos justamente dessas congregações -, e tomamos consciência que a missão que toca estas periferias sociais e existenciais é, muitas vezes, uma primeira linha de apoio, de acolhimento, de ajuda, muitas vezes no processo burocrático, de tramitação de vistos, de documentos de residência. Portanto, a missão tem esta experiência, tem esta sabedoria de saber acompanhar os ritmos migratórios, porque ela também é, de alguma maneira, migratória, implica movimento, sair de si, ir ao encontro do outro que, neste sentido, pode ser uma mais-valia para a nossa atividade pastoral aqui na diocese”.
O Fórum das Missões está marcado para domingo, 1 de fevereiro, na paróquia de S. Maximiliano Kolbe, em Lisboa, a partir das 9h30, é “aberto a todos” e não é necessária inscrição prévia. O programa prevê momentos culturais e de formação, e encerra com Missa, às 17h30, presidida pelo cardeal D. Manuel Clemente, patriarca emérito de Lisboa.
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