Eleições presidenciais
Comissão Justiça e Paz "contra a apropriação política dos valores cristãos"
28 jan, 2026 - 13:35 • Henrique Cunha
Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) afirma que "a política não deve promover ódio nem divisão" e pede que se rejeitem “políticas que destruam os laços sociais e gerem injustiças”.
A Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) deixa, a poucos dias da segunda volta das eleições presidências, um alerta “para os riscos da instrumentalização dos valores cristãos para fins políticos”.
“Esta instrumentalização não é inédita”, lê-se numa nota enviada à Renascença.
“Tem-se assistido, nos últimos tempos, à colagem de partidos e movimentos aos valores das comunidades cristãs, através do aproveitamento de causas como a defesa do direito à vida intrauterina ou da defesa da exposição do presépio em espaços públicos, promovendo simultaneamente a discriminação e discursos de ódio."
De acordo com este organismo da Igreja Católica, "esta estratégia visa captar eleitores que priorizam esses temas e que, por essa razão, tendem a relativizar outras posições políticas, mesmo quando estas contradigam as verdades do Evangelho”.
A CNJP sublinha que “as Igrejas cristãs e os seus fiéis devem tomar consciência do seu importante papel numa denúncia corajosa e num afastamento claro de tudo aquilo que perverte o valor fundamental de amor ao próximo”.
A nota refere, por outro lado, que “a política, enquanto forma mais elevada da caridade e com vista à construção do bem comum, não deve promover ódio nem divisão” e assinala que “nem mesmo a luta a favor da vida ou a defesa da identidade cristã podem implicar, para um cristão, prescindir das verdades do Evangelho e da doutrina social que dele brota”.
“Uma vez que a fé cristã se funda na dignidade inviolável da pessoa e na fraternidade universal, a defesa dessas causas não pode estar dissociada dos ideais de solidariedade, verdade, justiça e paz, sem ficar corrompida”, acrescenta.
A CNJP termina a sua nota aludindo ao “compromisso cristão na vida pública” e diz ser “imperioso manter espírito crítico e rejeitar políticas que destruam os laços sociais e gerem injustiças”.
A CNJP exorta “a um compromisso sério e empenhado com os valores democráticos, a defesa intransigente dos direitos humanos, a proteção dos mais pobres, a coesão social, a cooperação entre povos e políticas orientadas para o desenvolvimento integral de todos”.
“É nisso que deve assentar a verdadeira radicalidade daqueles que estão comprometidos com o Evangelho”, conclui.
- Noticiário das 16h
- 20 jul, 2026





