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Religião

Primeira mulher líder da Igreja Anglicana confirmada em cerimónia ancestral

28 jan, 2026 - 14:59 • Reuters

Sarah Mullally passa a ser a líder espiritual de 85 milhões de cristãos em 165 países da Comunhão Anglicana global.

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Sarah Mullally foi oficialmente confirmada esta quarta-feira como a primeira mulher a liderar a Igreja Anglicana, ao assumir o cargo de Arcebispa de Cantuária, numa cerimónia tradicional realizada na Catedral de São Paulo, em Londres.

A cerimónia ficou marcada por protestos: um manifestante gritou no meio da congregação, não se percebendo as suas palavras exatas, e teve de ser retirado da catedral pelos seguranças.

O incidente aconteceu quando o procurador da Catedral e da Igreja Metropolitana de Cristo em Canterbury lia em voz alta o aviso público informando que nenhuma objeção havia sido recebida à confirmação de Sarah Mullally. A arcebispa manteve-se concentrada enquanto o homem, que parecia envergar roupas religiosas, continuava a elevar a voz. Foi rapidamente escoltado para fora da cerimónia.


A Catedral de São Paulo foi transformada num tribunal para a antiga Confirmação da Eleição, uma cerimónia legal integrada num serviço religioso que assinala o momento em que um arcebispo eleito assume legalmente funções.

Mullally, que exercerá também o cargo de líder espiritual de 85 milhões de cristãos em 165 países da Comunhão Anglicana global, prestou juramento de lealdade como a 106.ª Arcebispa de Cantuária perante bispos seniores que atuaram como Comissários Reais sob a autoridade do rei Carlos.

O monarca britânico exerce o cargo de Governador Supremo da Igreja Anglicana desde que Henrique VIII rompeu com a Igreja Católica Romana no século XVI.

O serviço evidenciou a diversidade da Igreja, reunindo bispos e clérigos, bem como crianças de escolas locais e coros, com participantes de toda a Igreja Anglicana e da Comunhão Anglicana.

A redação da confirmação evoluiu ao longo dos séculos, passando do latim para o inglês no século XVIII, embora mantendo as suas raízes no direito canónico medieval.

A cerimónia incluiu hinos e leituras que refletiram a diversidade da Comunhão Anglicana global, com música que variou entre um hino do compositor inglês Edward Elgar e um cântico em xhosa, da África do Sul, além de uma leitura bilingue em inglês e português.

Antiga diretora-geral de enfermagem de Inglaterra, Mullally foi nomeada em outubro para substituir Justin Welby como a mais alta figura episcopal da Igreja. A sua nomeação suscitou críticas imediatas de alguns setores conservadores da rede global anglicana, que se opõem à ordenação de mulheres e permanecem divididos quanto às relações LGBTQ+.

Aos 63 anos, e enfrentando também no país questões relacionadas com falhas passadas na proteção de pessoas vulneráveis no seio da Igreja, Mullally será entronizada na Catedral de Cantuária em março, ocasião em que proferirá o seu primeiro sermão como arcebispa, assinalando o início do seu ministério público.

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