04 fev, 2026 - 14:59 • Olímpia Mairos
A presidência da Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia (Comece) manifestou solidariedade e proximidade espiritual com a Gronelândia e o seu povo, numa declaração divulgada esta terça-feira, num contexto marcado por crescente incerteza geopolítica e por discussões internacionais sobre o futuro daquele território.
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Num momento de renovada atenção internacional à região do Ártico e de negociações com impacto político, social e ambiental, a Comece sublinha que deve prevalecer um princípio essencial: o direito dos groenlandeses a decidir o seu próprio futuro.
“O futuro da Gronelândia deve ser decidido pelo próprio povo da Gronelândia, no pleno respeito dos seus direitos, dignidade e aspirações”, lê-se no comunicado.
A presidência da Comece recorda ainda que este princípio deve caminhar lado a lado com o respeito pelo direito internacional, pelos valores consagrados na Carta das Nações Unidas e pela integridade territorial do Reino da Dinamarca.
O comunicado expressa também preocupação com o atual contexto internacional, marcado por tensões geopolíticas crescentes e por um enfraquecimento da cooperação multilateral. A este propósito, a Comece evoca palavras recentes do Papa Leão XIV, dirigidas ao corpo diplomático, alertando para os riscos desta evolução: “A fraqueza do multilateralismo é motivo de particular preocupação a nível internacional”, advertiu o Papa, acrescentando que “uma diplomacia baseada no diálogo e na procura de consensos está a ser substituída por uma diplomacia baseada na força”.
Perante este cenário, a Comece encoraja a União Europeia a afirmar-se como um ator unido, responsável e promotor da confiança na cena internacional, mantendo-se fiel aos seus valores fundadores e empenhada numa ordem internacional baseada em regras e num multilateralismo eficaz.
A declaração recorda ainda que não é a primeira vez que a Comece se pronuncia sobre a região do Ártico. Em 2020, a organização participou na consulta pública da União Europeia sobre a futura política europeia para a região, defendendo a responsabilidade da UE na promoção de “um Ártico sustentável e pacífico, que coloque as suas populações no centro das decisões”.