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Quaresma 2026

Patriarca de Lisboa apresenta a Quaresma como tempo de alfabetização espiritual

18 fev, 2026 - 10:56 • Olímpia Mairos

Renúncia Quaresmal será destinada a pessoas e instituições afetadas pelas tempestades que assolaram Portugal.

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O patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, convida os fiéis a viverem a Quaresma como um tempo de “alfabetização espiritual”, marcado pelo silêncio, pelo discernimento e por um caminho interior “da sombra para a luz”.

Na mensagem pastoral para a Quaresma, intitulada “Com Jesus, aprender a viver na luz”, o patriarca sublinha que este tempo litúrgico é um convite exigente, mas libertador, a retirar-se com Cristo para reencontrar o mundo “na verdade”.

Na sua reflexão, D. Rui Valério apresenta a Quaresma como um tempo de retirada espiritual, não para fugir da realidade, mas para a viver com maior profundidade e verdade.

“Retirar-se com Cristo é aceitar entrar num tempo de silêncio, de escuta e de conversão; é criar espaço interior para estar na Sua presença e deixar que a Sua Palavra nos habite”, escreve o Patriarca.

O patriarca sublinha que viver a Quaresma é renunciar ao que é sombra para caminhar na luz, num tempo que não é de tristeza, mas de verdade e liberdade interior.

O “analfabetismo humano e espiritual” do nosso tempo

Num mundo marcado pelo excesso de informação, comunicação e estímulos, o patriarca de Lisboa alerta para um fenómeno que considera paradoxal e preocupante: a crescente incapacidade de muitas pessoas compreenderem a própria interioridade.

“Nunca tivemos tantas palavras, tanta comunicação e tanta informação. E, no entanto, cresce um silencioso analfabetismo humano e espiritual”, afirma D. Rui Valério.

Segundo o patriarca, este analfabetismo traduz-se na dificuldade em dar nome ao que se vive interiormente, em reconhecer sentimentos, discernir desejos e compreender aquilo que verdadeiramente orienta as decisões da vida. Uma realidade que gera uma fratura profunda no interior da pessoa.

Quando falta esta alfabetização interior, explica, o que a pessoa sente não coincide com o que faz, o que pensa não orienta o que escolhe e a própria experiência de vida deixa de encontrar sentido. O ser humano acaba por se tornar “um estranho para si mesmo”, vivendo de forma fragmentada e reativa.

Este empobrecimento interior torna, segundo D. Rui Valério, a pessoa particularmente vulnerável à manipulação das emoções, das ideologias e das pressões do imediato, num contexto social marcado pelo relativismo e por formas difusas de niilismo.

O patriarca sublinha que este fenómeno não é apenas psicológico ou cultural, mas profundamente espiritual, resultando da perda da linguagem da interioridade, da escuta e da consciência diante de Deus.

“Quando deixamos de saber ler o coração, também deixamos de saber ler a vida”, adverte.

Esta fragilidade interior, acrescenta, torna mais difícil manter uma posição espiritual equilibrada e perseverar no caminho da fé e da santidade, sobretudo face às tentações próprias de cada tempo.

Discernimento e resistência à tentação

É neste horizonte que D. Rui Valério evoca o exemplo de Jesus no deserto, durante quarenta dias, como referência essencial para a vivência quaresmal, destacando a centralidade do discernimento.

“Se não possuímos a gramática interior para compreender o que vivemos e o que nos acontece, como poderemos resistir à tentação aparentemente razoável de transformar pedras em pão para saciar uma fome imediata?”, questiona.

Neste contexto, o patriarca anuncia que, ao longo da Quaresma, serão promovidos quatro encontros em diferentes pontos da diocese, conjugando oração e reflexão, dedicados às tentações que hoje mais desafiam a fé, a família, os jovens e a própria Igreja.

Renúncia quaresmal apoia vítimas das tempestades

Na dimensão concreta da vivência quaresmal, o Patriarca de Lisboa anuncia que o fruto da Renúncia Quaresmal será destinado a pessoas e instituições afetadas pelas tempestades que recentemente assolaram Portugal. O apoio será coordenado pela Cáritas Diocesana de Lisboa, num gesto que traduz, segundo D. Rui Valério, uma vivência da Quaresma marcada pela responsabilidade e pela solidariedade.

O patriarca recorda ainda que, no ano passado, a renúncia quaresmal totalizou 195.117,37 euros, valor que foi distribuído por projetos em Portugal e no estrangeiro, de acordo com os fins previamente anunciados.

Esses apoios abrangeram o Centro “Tsarazaza”, na diocese de Mananjary, em Madagáscar, bem como a Associação Apoio à Vida e a Associação O Companheiro, instituições que acompanham pessoas em situação de particular vulnerabilidade.

Oração, jejum e caridade como caminho de unidade interior

Referindo-se às práticas tradicionais da Quaresma, o Patriarca sublinha que oração, jejum e caridade não são gestos formais, mas verdadeiros exercícios espirituais.

“A oração educa o coração para a escuta. O jejum liberta-nos das dependências que obscurecem o olhar. A caridade abre-nos à verdade do outro e cura o fechamento egoísta”, escreve.

Na conclusão da mensagem, D. Rui Valério recorda que “a Quaresma não é um tempo de perfeição, mas de caminho”, convidando os fiéis a uma travessia interior que conduza à reconciliação consigo mesmos, com os outros e com Deus.

O patriarca confia este percurso à Virgem Maria e deseja a todos “uma santa e fecunda Quaresma”.

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  • Evaristo Nangayapwa
    20 fev, 2026 Angola -caxito 21:58
    A mensagem dos bispos é clara, leva-nos a refletir com profundidade a este tempo favorável de um caminho de transformação interior. Sim, este tempo da Quaresma é fundamental por constituir um momento propício que nos prepara a festa da Páscoa. Por isso, é importante compreende-lo bem, para percebermos essas três atitudes importantes na vida de um cristão, isto é, a esmola, jejum e oração. Amados irmãos e irmãs, façamos deste tempo litúrgico exigente e ao mesmo tempo libertador, um tempo de alegria, tempo de esperança e de silêncio, de escuta e conversão, de modos que nos deixemos guiar pela Palavra de Deus.

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