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Moçambique

Educar para transformar: CMAB lança campanha de apadrinhamento para manter raparigas na escola em Moçambique

02 mar, 2026 - 15:42 • Olímpia Mairos

Projeto do Centro Missionário da Arquidiocese de Braga apoia entre 200 e 300 jovens no ensino secundário, numa região marcada pela pobreza, insegurança e abandono escolar.

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O Centro Missionário da Arquidiocese de Braga (CMAB) lançou uma campanha de apadrinhamento para apoiar o acesso e a permanência de raparigas no ensino secundário em Moçambique, numa região marcada por elevados níveis de pobreza, insegurança e abandono escolar.

O projeto é desenvolvido na Paróquia de Santa Cecília de Ocua, integrada na Diocese de Pemba, no norte de Moçambique, e pretende garantir que centenas de jovens possam continuar a estudar ao longo do ano letivo, através de apoio financeiro e acompanhamento formativo.

Moçambique apresenta uma das taxas de abandono escolar mais elevadas do mundo, com apenas uma pequena percentagem de adolescentes a frequentar a escola. A realidade é ainda mais dura para as raparigas, sobretudo na província de Cabo Delgado, onde fatores como a pobreza extrema, longas distâncias até às escolas, deslocações forçadas, casamentos e gravidezes precoces continuam a comprometer o percurso educativo.

Entre 200 e 300 raparigas apoiadas todos os anos

Segundo o CMAB, o projeto surgiu como resposta direta a estas dificuldades e apoia anualmente entre 200 e 300 raparigas do ensino secundário, promovendo não apenas o sucesso escolar, mas também o desenvolvimento humano e a construção de projetos de vida.

A iniciativa insere-se no projeto de cooperação missionária entre a Arquidiocese de Braga e a Diocese de Pemba, que tornou a Paróquia de Santa Cecília de Ocua simbolicamente a “552.ª paróquia” da arquidiocese portuguesa.

No território da Missão de Ocua e comunidades vizinhas, muitas famílias não conseguem suportar os custos associados à educação, como propinas, uniformes, material escolar ou alojamento seguro, o que leva frequentemente à interrupção dos estudos das raparigas.

Apoio financeiro e acompanhamento humano

O apadrinhamento permite garantir condições básicas para a frequência escolar, incluindo o pagamento de propinas, a confeção de uniformes, a entrega de material escolar e um acompanhamento regular ao longo do ano, complementado por encontros formativos durante as pausas letivas.

“O objetivo não é apenas que frequentem a escola, mas que concluam o ano letivo, cresçam em autoestima, desenvolvam o seu projeto de vida e acreditem nas suas capacidades”, sublinha o CMAB.

Educação como motor de transformação

A organização missionária destaca que investir na educação das raparigas tem um impacto que vai muito além da escola. “Quando uma rapariga continua a estudar, aumentam as suas oportunidades, fortalece a sua família e contribui para a sua comunidade”, refere a entidade.

A campanha de apadrinhamento apela à participação de padrinhos e madrinhas dispostos a apoiar uma jovem durante o ano letivo, contribuindo para quebrar ciclos de pobreza e exclusão numa das regiões mais vulneráveis de Moçambique.

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