Ouvir
  • Noticiário das 5h
  • 18 abr, 2026
A+ / A-

Religião

Igreja quer mais presença no digital e padres formados “a partir do Povo de Deus”

03 mar, 2026 - 16:59 • Olímpia Mairos

Secretaria-Geral do Sínodo divulga os primeiros relatórios dos Grupos de Estudo e reforça a necessidade de uma Igreja mais missionária, sinodal e presente na cultura digital.

A+ / A-

O Vaticano publicou esta terça-feira os dois primeiros Relatórios Finais dos Grupos de Estudo instituídos após a Primeira Sessão da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos. Estão agora disponíveis os textos do Grupo n.º 3, dedicado à missão no ambiente digital, e do Grupo n.º 4, centrado na formação para o sacerdócio.

O Papa Leão XIV determinou que os relatórios fossem tornados públicos “para compartilhar com todo o Povo de Deus o fruto da reflexão e do discernimento realizados”, concretizando uma das características essenciais da Igreja sinodal: a transparência e a prestação de contas.

O cardeal Mario Grech, secretário-geral do Sínodo, citado em comunicado, sublinha que o processo foi mais do que uma colaboração institucional. “Não é a primeira vez que os Dicastérios colaboram em um projeto comum, mas aqui há algo mais: um autêntico exercício de escuta, reflexão e discernimento compartilhado. É a sinodalidade posta em prática, não uma simples colaboração burocrática”, afirma.

Missão da Igreja no ambiente digital

O relatório do Grupo n.º 3 responde a uma questão central levantada na assembleia sinodal: como viver a missão da Igreja numa cultura cada vez mais moldada pelo digital.

O documento resulta de uma ampla consulta a agentes pastorais, especialistas e realidades eclesiais de todos os continentes. Entre os temas-chave identificados estão a integração da missão digital nas estruturas ordinárias da Igreja, o aprofundamento do conceito de jurisdição territorial à luz das comunidades online e a formação específica de pastores e agentes pastorais para a cultura digital.

O relatório apresenta propostas concretas a três níveis — Santa Sé, Conferências Episcopais e dioceses — e inclui uma descrição detalhada da metodologia seguida e das entidades consultadas.

Formação sacerdotal em chave sinodal

Já o Grupo n.º 4 optou por não rever a Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis (2016), considerando-a válida nos seus princípios fundamentais, mas propõe um documento orientativo para a sua implementação numa perspetiva sinodal missionária.

No centro da proposta está uma ideia-força: a identidade do presbítero forma-se “no e a partir do” Povo de Deus, e não separadamente dele.

O documento identifica várias conversões necessárias na formação sacerdotal: relacional, missionária, à comunhão, ao serviço e a um estilo sinodal. Entre as propostas concretas destacam-se a alternância entre a vida no seminário e a inserção em comunidades paroquiais, experiências formativas partilhadas com leigos e consagrados e a inclusão de mulheres preparadas e competentes como corresponsáveis em todos os níveis da formação, inclusive na equipa formativa.

Também se propõe o reforço de competências ligadas à corresponsabilidade e ao discernimento comunitário.

“Ponto de partida e não de chegada”

O cardeal Grech sublinha que os relatórios devem ser entendidos como instrumentos de trabalho. “Os Relatórios finais devem ser entendidos como documentos de trabalho, um ponto de partida e não de chegada”, afirma.

Ainda assim, acrescenta, já contêm indicações importantes para as Igrejas locais: “Este é o espírito da sinodalidade: um caminho que não se detém, no qual cada etapa já é geradora.”

Caberá agora à Secretaria-Geral do Sínodo, em conjunto com os Dicastérios competentes, traduzir as conclusões em propostas operacionais a apresentar ao Santo Padre.

Os relatórios foram publicados em inglês e italiano, acompanhados de sínteses em várias línguas. Os próximos documentos serão divulgados progressivamente, estando a próxima publicação prevista para 10 de março de 2026.

Ouvir
  • Noticiário das 5h
  • 18 abr, 2026
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Vídeos em destaque