Religião
Igreja quer mais presença no digital e padres formados “a partir do Povo de Deus”
03 mar, 2026 - 16:59 • Olímpia Mairos
Secretaria-Geral do Sínodo divulga os primeiros relatórios dos Grupos de Estudo e reforça a necessidade de uma Igreja mais missionária, sinodal e presente na cultura digital.
O Vaticano publicou esta terça-feira os dois primeiros Relatórios Finais dos Grupos de Estudo instituídos após a Primeira Sessão da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos. Estão agora disponíveis os textos do Grupo n.º 3, dedicado à missão no ambiente digital, e do Grupo n.º 4, centrado na formação para o sacerdócio.
O Papa Leão XIV determinou que os relatórios fossem tornados públicos “para compartilhar com todo o Povo de Deus o fruto da reflexão e do discernimento realizados”, concretizando uma das características essenciais da Igreja sinodal: a transparência e a prestação de contas.
O cardeal Mario Grech, secretário-geral do Sínodo, citado em comunicado, sublinha que o processo foi mais do que uma colaboração institucional. “Não é a primeira vez que os Dicastérios colaboram em um projeto comum, mas aqui há algo mais: um autêntico exercício de escuta, reflexão e discernimento compartilhado. É a sinodalidade posta em prática, não uma simples colaboração burocrática”, afirma.
Missão da Igreja no ambiente digital
O relatório do Grupo n.º 3 responde a uma questão central levantada na assembleia sinodal: como viver a missão da Igreja numa cultura cada vez mais moldada pelo digital.
O documento resulta de uma ampla consulta a agentes pastorais, especialistas e realidades eclesiais de todos os continentes. Entre os temas-chave identificados estão a integração da missão digital nas estruturas ordinárias da Igreja, o aprofundamento do conceito de jurisdição territorial à luz das comunidades online e a formação específica de pastores e agentes pastorais para a cultura digital.
O relatório apresenta propostas concretas a três níveis — Santa Sé, Conferências Episcopais e dioceses — e inclui uma descrição detalhada da metodologia seguida e das entidades consultadas.
Formação sacerdotal em chave sinodal
Já o Grupo n.º 4 optou por não rever a Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis (2016), considerando-a válida nos seus princípios fundamentais, mas propõe um documento orientativo para a sua implementação numa perspetiva sinodal missionária.
No centro da proposta está uma ideia-força: a identidade do presbítero forma-se “no e a partir do” Povo de Deus, e não separadamente dele.
O documento identifica várias conversões necessárias na formação sacerdotal: relacional, missionária, à comunhão, ao serviço e a um estilo sinodal. Entre as propostas concretas destacam-se a alternância entre a vida no seminário e a inserção em comunidades paroquiais, experiências formativas partilhadas com leigos e consagrados e a inclusão de mulheres preparadas e competentes como corresponsáveis em todos os níveis da formação, inclusive na equipa formativa.
Também se propõe o reforço de competências ligadas à corresponsabilidade e ao discernimento comunitário.
“Ponto de partida e não de chegada”
O cardeal Grech sublinha que os relatórios devem ser entendidos como instrumentos de trabalho. “Os Relatórios finais devem ser entendidos como documentos de trabalho, um ponto de partida e não de chegada”, afirma.
Ainda assim, acrescenta, já contêm indicações importantes para as Igrejas locais: “Este é o espírito da sinodalidade: um caminho que não se detém, no qual cada etapa já é geradora.”
Caberá agora à Secretaria-Geral do Sínodo, em conjunto com os Dicastérios competentes, traduzir as conclusões em propostas operacionais a apresentar ao Santo Padre.
Os relatórios foram publicados em inglês e italiano, acompanhados de sínteses em várias línguas. Os próximos documentos serão divulgados progressivamente, estando a próxima publicação prevista para 10 de março de 2026.
- Noticiário das 5h
- 18 abr, 2026








